Chuvas de granizo “nunca vistas” destroem lavouras em Minas Gerais

    Imagens impressionantes revelam destruição e desespero de produtores

    A Associação dos Cafeicultores do Sudoeste de Minas vai mobilizar outras entidades e o poder público para reconhecer o estado de calamidade na região. (foto - Senar)

    A Associação dos Cafeicultores do Sudoeste de Minas vai mobilizar outras entidades e o poder público para reconhecer o estado de calamidade na região. (foto - Senar)

    09deNovembrode2022ás10:52

    Chuvas de granizo de grande escala atingiram dezenas de cidades e milhares de hectares de plantações no sudoeste de Minas Gerais entre segunda e terça-feira (dias 7 e 8) e provocaram muitos prejuízos a agricultores, em alguns casos, até perda total das lavouras.

    O fenômeno deixou imagens impressionantes e tristeza a centenas de produtores. A Associação dos Cafeicultores do Sudoeste de Minas Gerais, que abrange 21 municípios, por exemplo, já pleiteia declarar estado de calamidade, dada à dimensão dos estragos.

    Há cerca de um mês, a região já havia sido castigada por um tornado e granizo que também provocaram perdas agrícolas e estruturais. Segundo o técnico de campo do Senar de Minas Gerais, Antonio Sérgio Souza, a ocorrência de granizo em novembro é “totalmente atípica”.

    “Estamos vivendo o ano do nunca visto. Eu nunca havia presenciado chuvas de granizo com essa intensidade, ainda mais em novembro. Temos relatos de destruição completa de lavouras de café em várias cidades, desde o Cerrado Mineiro até o Sul do Estado”, conta.

    Antonio, que também é engenheiro agrônomo, explica que as pedras chegaram a ter tamanho de laranjas e chegaram a cobrir, como se fossem neve, talhões inteiros das propriedades. No caso da cafeicultura, as pedras de granizo destroem as árvores de café e impedem o desenvolvimento normal da planta.

    “Enviaram vídeos de cafezais novos que ficaram apenas com um talinho em pé. Certamente, o prejuízo foi grande. Além do café, outras culturas na região, como grãos, legumes e verduras, também tiveram prejuízo. Quando a folha é danificada, toda a planta sofre”, diz.

    O Agrofy News teve acesso a imagens impressionantes de produtores de ao menos 10 cidades em Minas Gerais. Entre elas, estão os municípios de Sacramento, Patrocínio, Chapadão de Ferro, São Pedro da União, Cabo Verde, Nova Ponte, Bambuí, Lagoa da Prata, Rio Paranaíba e São Gotardo.

    Calamidade pública

    O presidente da Associação dos Cafeicultores do Sudoeste de Minas Gerais, Fernando Barbosa, comentou, ainda ontem, logo após as chuvas de granizo, que o setor vai mobilizar outras entidades e o poder público para reconhecer o estado de calamidade na região.

    “Ainda estamos avaliando os estragos, mas, certamente, será necessário o reconhecimento oficial de que vivemos uma situação extrema, de calamidade. Isso é fundamental para manter a atividade dos agricultores, mas também para toda a economia da região”, avalia.

    Segundo o representante dos cafeicultores, a entidade vai acionar a Federação de Agricultura e Pecuária de Minas Gerais (FAEMG), a bancada parlamentar ligada ao café e prefeituras de todos os municípios mais atingidos.

    O objetivo é que, com o estado de calamidade decretado, os produtores possam negociar com bancos e também acionar seguros para minimizar as perdas no campo.

    Outros 16 mil hectares foram castigados em outubro

    No início do mês de outubro, outras chuvas de grazino atingiram 16,8 mil hectares de lavouras em Minas Gerais. É o que mostra o balanço realizado pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG).

    O estudo também revela que 2.039 produtores rurais tiveram algum tipo de perda, em 63 municípios. Os maiores prejuízos foram nas regiões Sul, Campo das Vertentes, Central e Zona da Mata.

    Os plantios de café arábica foram os mais impactados, com 13 mil hectares. O número representa 77% do total atingido pelas chuvas em Minas Gerais. O levantamento da Emater-MG mostra que 1.090 cafeicultores sofreram algum tipo de perda.

    Os municípios de Andradas, Coqueiral, Campanha e Paraguaçu, no Sul do estado, foram os que tiveram as maiores áreas de café prejudicadas pelo fenômeno.

    A segunda cultura com maior área atingida pelas chuvas de granizo foi a citricultura, com 2,4 mil hectares. Pelos menos 135 citricultores mineiros relataram perdas. Os pomares mais afetados estão em Campanha, Paraguaçu e Três Corações, no Sul de Minas, além de Tocantins, na Zona da Mata.

    Ainda na fruticultura, foram registrados prejuízos em lavouras de abacate. Foram 190 hectares atingidos no Sul de Minas, nos municípios de Três Corações, Campanha e Bom Jesus da Penha. Além disso, 36 hectares com plantios de uva na região foram atingidos.

    Outros 302 produtores de hortaliças também relataram algum tipo de prejuízo, em 503 hectares. Os maiores danos foram em plantios de folhosas, com 212 hectares. Mas também houve perdas em outras culturas como tomate, abobrinha e couve-flor.

    Os municípios de Andradas, Três Corações, Pouso Alto (Sul), Paula Cândido (Zona da Mata) e Carmópolis de Minas (Central), foram os mais prejudicados.

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