Vai faltar café em 2023?

    Relatório aponta que consumo mundial pode ser maior do que a produção

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    (foto - divulgação Fiesp)

    (foto - divulgação Fiesp)

    13deJaneirode2023ás15:20

    Relatório recém divulgado pela Organização Internacional do Café (OIC) indica que o consumo global do grão deve atingir a marca de 170,3 milhões de sacas (de 60 kg), até setembro de 2023,  considerando um ciclo iniciado em outubro de 2022. 

    O que chama atenção, entretanto, é que, para o mesmo período, o documento apresenta estimativa de produção mundial de 167,2 milhões de sacas de 60kg.

    Isso, se confirmado, em volume físico, isso representa um ligeiro decréscimo de 2,1% na produção mundial, na comparação com os 12 meses anteriores, e um aumento no consumo de 3,3%.

    “Dessa forma, o consumo mundial de café, caso tais dados se confirmem, deverá suplantar o volume total da produção em aproximadamente 3,1 milhões de sacas de outubro de 2022 a setembro de 2023”, diz texto publicado pela Embrapa nesta sexta (dia 13).

    A Embrapa, através do Observatório do Café, ligado ao Consórcio Pesquisa Café, é quem disponibilizou no Brasil os dados do relatório da OIC.

    A OIC procede aos seus registros oficiais e avaliações da cafeicultura mundial considerando que o ano-cafeeiro compreende o período entre os meses de outubro a setembro, nas quatro grandes regiões cafeeiras do planeta: América do Sul, Ásia & Oceania, América Central & México e África.

    O documento ainda classifica os cafés da espécie Coffea arabica em três tipos: ‘Naturais Brasileiros’, ‘Suaves Colombianos’ e ‘Outros Suaves’; e, por fim, os cafés da espécie Coffea canefora em ‘Robustas’.

    Aumento nas vendas

    Conforme consta do Relatório da OIC, somente no mês de novembro de 2022, as exportações globais de grãos verdes, em nível mundial, totalizaram 9,21 milhões de sacas, volume físico que denotou um aumento de 10,8%, em relação às 8,31 milhões de sacas exportadas no mesmo mês do ano-cafeeiro anterior.

    Em relação às exportações das quatro grandes regiões produtoras, em novembro, as vendas para o exterior da América do Sul, de todas as formas de café, totalizaram 4,96 milhões de sacas de 60kg, número que representa um aumento de 4,7%, na comparação com o mesmo mês de 2021.

    Em complemento, as exportações da Ásia e Oceania, que totalizaram 3,78 milhões de sacas, registrando no 11º mês de 2022 um expressivo aumento de 19% se comparadas a novembro de 2021.

    Quanto às exportações de café do México e América Central, as quais a despeito de terem atingido apenas 0,41 milhão de sacas, registraram uma queda de 7,1%, na comparação com 0,45 milhão de sacas exportadas em novembro de 2021.

    Ainda de acordo com o relatório o Brasil, maior exportador de café solúvel, vendeu 270 mil sacas em novembro de 2022, seguido pela Índia que exportou 190 mil sacas, e Indonésia com um volume equivalente a 150 mil sacas vendidas ao exterior, em novembro de 2022.

    Plantação de café. (foto - Sistema CNA/Senar)

    Brasil: produtividade média do café aumentou 45% em 10 anos

    Estudo lançado esta semana pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) revela que, na última década, a produtividade média em valor (R$/ha) das propriedades de café do Brasil teve uma alta de 38%.

    De acordo com o levantamento Agronegócio do Café – Produção, Transformação e Oportunidades, o setor gerou, em média, R$ 16,8 mil por hectare no período de 2008-2011 e alcançou R$ 21,7 mil por hectare na média do intervalo de 2018-2021. 

    Em termos de volume colhido, a produtividade média brasileira foi de 30,0 sacas/ha em 2018-2021, enquanto em 2008-2011 o indicador foi de 21,1 sacas/ha, expansão de 42,5%.

    Vale citar que, segundo a Fiesp, houve redução na área plantada. “Mas o setor investiu em tecnologia e ganhou eficiência por meio do incremento do número de árvores plantadas e adensamento dos pés em produção, proporcionando o aumento do volume da produção”, diz a entidade.

    Segundo o estudo, nos últimos dez anos, a produção de café teve um salto de 25,3%, considerando a bienalidade positiva e negativa.

    Na média das safras de 2008/2009 a 2011/2012, a produção brasileira saiu de 44,3 milhões de sacas de 60 quilos para uma média de 55,4 milhões de sacas entre 2018/2019 e 2021/2022 (Conab).

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