Em dois anos, Paraná investe R$ 168 milhões em energia renovável no agro
Banco do Agricultor tem 80% dos financiamentos destinados à instalação de painéis solares
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Painés solares são paisagem cada vez mais comum no interior do Estado. (foto - BRDE)
A história de como a avicultora Cátia Schneider, de Santa Helena, no Paraná, implantou um sistema solar em sua propriedade, e dos benefícios vindo com a tecnologia, incluindo redução nos gastos, é contada pelo Banco do Agricultor Paranaense em recente balanço da instituição.
Cátia e sua avícola estão entre as 537 operações realizadas em 2022, somando quase R$ 127 milhões. Desde 2021, quando foi criado pelo governo paranaense, o Banco do Agricultor liberou R$ 168 milhões para 870 financiamentos contratados.
Deste número, 695, quase 80%, são destinados justamente à instalação de painéis solares.
“Conheci o projeto pelo Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná. Trabalhamos num ramo com alto consumo de energia, devido aos aviários, e para que a atividade se torne mais viável precisamos diminuir os custos”, conta Cátia, em depoimento publicado pela Secretaria de Agricultura.
E justamente por ser a avicultura uma atividade que exige uma demanda energética grande é que o governo lançou um programa do Banco do Agricultor voltado ao setor, com intuito de facilitar o processo de transformação da matriz energética.
Ele é direcionado a projetos que utilizem fontes renováveis de geração de energia e modernização da produção com sistemas de irrigação, entre outros.
“O RenovaPR, outro programa estatal, que conta inclusive com acompanhamento técnico para projetos de energia sustentável, opera de maneira integrada ao Banco do Agricultor Paranaense”, diz o governo.
Avicultura é destaque no Estado
Não por coincidência, o Paraná é líder na avicultura nacional, respondendo por um terço da produção das aves, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Somente entre janeiro e setembro de 2022, foram quase 3,8 milhões de toneladas de carne de frango processadas no Estado.
Produtores como Cátia podem requisitar o crédito no Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), Banco do Brasil ou cooperativas de crédito conveniadas. A subvenção estatal ocorre com o apoio da Fomento Paraná.
"Além do incentivo, é um sonho realizado. Já pensávamos investir na questão da energia solar, mas fizemos até antes do que nós imaginávamos com esse apoio”, completou.
Estado "acertou em cheio", diz presidente do BRDE
Para o presidente do BRDE, Wilson Bley Lipski, o Estado “acertou em cheio “ na criação do programa para energia renovável.
Ele ajudou o banco a alcançar, em 2022, R$ 4,4 bilhões em investimentos para a região Sul do Brasil, sendo R$ 1,7 bilhão para o Paraná, e, dentro do Paraná, 28,6% para projetos da região Oeste.
“Fomos muito felizes ao estimular, através do subsídio, os investimentos na geração de energia renovável e solar, impactando principalmente na avicultura, que é tão importante para o Paraná e seus pequenos produtores”, comemorou.
“Seguindo as diretrizes do Governo, buscamos estimular as boas iniciativas para aumentar a geração de renda por meio do crédito facilitado”.
O Banco
Somando as operações de todos os bancos, o Banco do Agricultor Paranaense já possibilitou o financiamento de R$ 301,7 milhões desde abril de 2021, quando começou a apoiar os produtores rurais do Estado com equalização da taxa de juros.
Os recursos foram utilizados para viabilizar 2.075 projetos em diversas atividades do setor agropecuário.
Para garantir taxas de juros menores aos produtores e, em alguns casos, zerar a alíquota, até agora o Estado investiu mais de R$ 95,8 milhões.
O maior volume em financiamento refere-se à linha de energia renovável, que alcançou, até o início de dezembro, R$ 243 milhões. Foram beneficiados 1.447 projetos.
Para incentivar a adoção de fonte energética mais sustentável, o governo decidiu assumir 100% dos juros nos projetos. Dessa forma, foram investidos R$ 85,8 milhões.