INPI reconhece indicação de procedência da uva niagara de “Jundiahy”
Grafia "original" da palavra foi estratégia dos produtores para contar história na região
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Uva niagara rosada na região completa 90 anos em 2023. (fotos - Mapa)
Depois de 14 anos, o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) reconheceu nesta terça-feira (dia 4) a Indicação Geográfica (IG) da uva niagara rosada de Jundiahy, na categoria Indicação de Procedência.
Ao longo do caminho até a conquista, manter a grafia da palavra com as letras “h” e “y” – diferente do nome do munícipio, que é Jundiaí - foi um dos maiores desafios do grupo de produtores, formado também por representantes de outras localidades com Louveira, Itupeva, Jarinu e Itatiba.
Explica-se: entre o final do século 19 e início do século 20, a uva era cultivada numa imensa área de terra que se chamava Jundiahy.
Depois os municípios foram desmembrados, mas a fruta passou a ser conhecida como a ‘uva de Jundiahy’. No processo de reconhecimento da IG, no início de 2022, o INPI teria solicitado que a grafia fosse trocada por Jundiaí, o que foi descartado pelos produtores.
“Essa grafia com ‘y’ foi o ponto de união dos municípios que produzem a uva atualmente. Eles se reconhecem como membros daquele território, por produzirem a uva niagara rosada, terem colonização parecida e na mesma época, cultivarem no mesmo solo”, conta Francisco José Mitidieri, auditor fiscal do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
Para Mitidieri, que acompanha o processo desde 2014, a conquista é “mais um exemplo de um trabalho que envolve articulação de muitas pessoas que se engajaram, contribuíram e acreditaram durante todos esses anos de prospecção e de sensibilização.”
Além desse apoio, a equipe do Mapa em Brasília emitiu um documento chamado ‘instrumento oficial’, que atesta a notoriedade da região e a inserção daqueles produtores na delimitação geográfica que demandou a IG.
O parecer é emitido após análise de uma série de documentos e é uma das exigências do INPI para conceder a indicação de procedência.
A conquista ocorre apenas dois dias antes da instalação do Fórum de Indicações Geográficas e Marcas Coletivas do Estado de São Paulo, que será lançado amanhã (dia 6), na Superintendência de Agricultura e Pecuária de São Paulo.
Delimitação do território
Isabel Harder, diretora de Agronegócio da Prefeitura de Jundiaí, contou que essa resistência à grafia antiga e a delimitação do território foram os momentos mais complexos de todo o processo.
“Foi muito complicado definir o território que seria reconhecido, e nesse ponto, a participação do Mapa foi fundamental. O ministério nos deu um norte”, disse ela.
Ela revela ainda estar “particularmente feliz porque a IG é formalizada no momento em que o surgimento da uva niagara rosada na região completa 90 anos.”
Segundo Isabel, uma mutação da uva branca foi descoberta em 1933 por Antônio Carbonari, que hoje dá nome ao parque onde é realizada todos os anos a tradicional Festa da Uva.
“Agora vamos iniciar um processo de divulgação e valorização dessa indicação de procedência. A gente sabe que nossa uva tem um aroma marcante, mas agora queremos provar isso, buscando um processo de denominação de origem”, afirmou.

Especificações
Agora, um caderno de especificações da produção, criado durante o processo, estará disponível aos produtores interessados em se beneficiar do reconhecimento, cultivando a uva dentro dos padrões estabelecidos.
Rene José Tomasetto, presidente da Associação Agrícola de Jundiaí, disse que os cinco municípios contemplados reúnem entre 700 e 800 produtores de uva. Para ele, a ideia é usar o reconhecimento atrair mais turistas à região e despertar o interesse pela niagara rosada de Jundiahy.
A IG de Jundiahy é a 102ª IG brasileira registrada no INPI.