Venda de frutas nos mercados atacadistas cresce 15% em março, diz Conab
Em 2022, movimentação de frutas e hortaliças somou 17,5 milhões de toneladas
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Além do boletim mensal, Conab divulgou balanço das vendas em 2022. (foto - acervo CNA/Senar)
Em março, a comercialização total de frutas no Brasil apresentou aumento de 15,2% em relação a fevereiro e alta de 4% na comparação com o mesmo período de 2022, segundo informações da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgadas nesta quinta (dia 20).
De acordo com o 4º Boletim Prohort, que traz dados de comercialização das principais frutas e hortaliças, os consumidores puderam notar altas nos preços da laranja (11,39%), mamão (+19,4%) e melancia (+6,51), mas, por outro lado, observaram queda nas cotações da maçã e banana, de respectivamente 20,23% e 4,67%.
Da lista de legumes e hortaliças, assim como em fevereiro, batata, cebola e tomate foram os três itens com maiores redução nos valores nas Centrais de Abastecimento em março.
No caso das batatas, as quedas ficaram entre 6,85% na Ceagesp (São Paulo) e 29,17% na Ceasa/PR (Curitiba).
As cebolas, depois de atingirem o pico em novembro de 2022, acumulam redução desde dezembro, com queda média no mês passado de 10,89%.
Para o tomate, a queda de preços ocorre pelo terceiro mês consecutivo, mas não em todos os mercados analisados. A média ponderada ficou 11,60% abaixo do mês anterior, mesmo com alta nas Ceasa/RJ - Rio de Janeiro (7,21%), na Ceasa/ES - Vitória (5,14%) e na Ceasa/PR - Curitiba (2,88%).
Dentre os mercados que apresentaram queda de preço, deve-se ressaltar que todas elas foram acima de 10%, no intervalo de 11,78% na Ceasa/DF - Brasília e 50,57% na Ceasa/PE - Recife.
“Ressalta-se que o tomate tem sua produção bastante pulverizada e cada mercado é abastecido, prioritariamente pela oferta local ou regional. A maturação rápida, as temperaturas elevadas e a perecibilidade demandam menores distâncias até os centros consumidores.”
Alface e cenoura
Por outro lado, alface e a cenoura apresentaram tendência de alta nas cotações praticadas. “A média ponderada de preços para a raiz subiu 23,93% no último mês" analisa Allan Silveira, gerente de Produtos Hortigranjeiros da Conab.
"Houve aumento da oferta da cenoura em relação tanto a fevereiro de 2023 como a março de 2022, mas não o suficiente para mudar o comportamento de alta. No início de abril, essa tendência ascendente continua a se apresentar na maioria dos mercados.”
Balanço em 2022
A movimentação de frutas e hortaliças durante o ano passado, nos mercados atacadistas, ficou estável em relação ao registrado em 2021 chegando a 17,5 milhões de toneladas, divulgou a Conab nesta quinta.
Em 2022, o volume negociado representou R$ 61,8 bilhões movimentados na economia brasileira, um aumento de 32,57% quando comparado com valor transacionado em 2021.
Também de acordo com o balanço, o desempenho foi influenciado tanto pela menor oferta dos produtos no atacado como também pelo aumento dos preços praticados, explicado, em parte, pela alta nos custos de produção.
No caso das hortaliças, as quantidades de produtos comercializados nas Ceasas tiveram uma redução de 1,46% na comparação com 2021.
Destaque para o subgrupo das folhosas, que registrou o maior percentual de queda, principalmente no primeiro trimestre de 2022, época em que a oferta foi prejudicada pelas chuvas registradas em importantes áreas produtoras.
Frutas em 2022
No caso das frutas, o ano de 2022 fechou com pequeno descenso de 3,8% na quantidade total comercializada em relação a 2021 e de 4,3% se a comparação for com 2020, com quedas mais intensas nos meses de junho, julho e agosto.
A menor oferta também traz reflexo nas exportações brasileiras de frutas.
De acordo com a Conab, com base em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o volume total enviado ao exterior foi de 980,37 mil toneladas, 17% inferior quando comparado ao ano de 2021, com faturamento da ordem de US$ 955,48 milhões, 15% abaixo do mesmo período de 2021.
“Essa queda pode ser explicada devido à elevação do custo de produção, não só no campo, com elevação nos preços de insumos devido à variação cambial, mas também na questão logística, como o encarecimento do frete marítimo, por exemplo”, pondera Wellington Teixeira, superintendente de Gestão da Oferta da Conab. “No entanto, as perspectivas para 2023 são de crescimento, já que o mercado de frutas frescas internacional oferece boas oportunidades de crescimento para produtores brasileiros”, destaca.