MST deixa áreas em Pernambuco e Espirito Santo mas invade outras na Bahia
Direção do movimento afirmou ser “parceira” do governo Lula
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O MST tem ações em curso em 18 estados, com 20 mil pessoas mobilizadas, com pautas ligadas à Reforma Agrária. (foto - MST)
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) desocupou algumas áreas, mas invadiu outras no último final de semana mesmo após “acordo” com o governo federal.
Depois de anunciar a saída de área da Embrapa, em Petrolina (PE), e uma área da empresa de celulose Suzano, no Espírito Santo, o próprio movimento reconheceu as invasões de terra de três fazendas nas cidades Jaguaquara, Juazeiro e Guaratinga, todas na Bahia.
A fazenda Jerusalém, em Jaguaquara, foi ocupada na madrugada de domingo (23) e cerca de 200 famílias permanecem no local. De acordo com o movimento, a fazenda tem um decreto de desocupação desde 2010, mas já foi ocupada anteriormente.
Na cidade de Juazeiro, a ocupação aconteceu na comunidade do Salitre, também no domingo. O MST informou que cerca de 200 famílias estão no local, que tem pouco mais de 4 mil hectares. Algumas áreas da comunidade já foram ocupadas em outras oportunidades pelo grupo.
As novas invasões a propriedades privadas não são surpresa, uma vez que o próprio MST anunciou a ”Jornada Nacional de Lutas em Defesa da Reforma Agrária”, também conhecido como “Abril Vermelho” ao longo deste mês.
Tratamento VIP
Ainda mais explícito, a direção da organização declarou, na última quinta-feira (20), manter as invasões ao próprio ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em São Paulo.
“Áreas improdutivas nós vamos continuar ocupando porque queremos para a reforma agrária. Não tem motivo para o MST criar conflito ou constrangimento para o governo Lula. O MST é parceiro desse governo. Temos uma agenda de produção de alimentos. Agora, nós achamos justo que, no mês de abril, o MST possa apresentar sua pauta”, disse o coordenador nacional do MST, João Paulo Rodrigues.
Ainda assim, o Ministério da Fazenda teria dito que vai aumentar os recursos para obtenção de terras para a reforma agrária.
“O orçamento da reforma agrária que nós herdamos do Bolsonaro é de R$ 250 milhões. O governo está se comprometendo a chegar a R$ 400 milhões, mas é insuficiente para assentar 60 mil famílias acampadas, mas são necessários ,13 bilhão”, disse o dirigente do MST.
De acordo com Rodrigues, para assentar as 60 mil famílias acampadas atualmente no país, seria necessário um orçamento de, aproximadamente, R$ 1,3 bilhão. “O ministro Fernando Haddad disse que não tem como repor esse orçamento esse ano”, ressalvou.
O coordenador do movimento social afirmou que o ministro propôs trabalhar no sentido de obter terras, para a reforma agrária, advindas de proprietários devedores da União. “O compromisso que o ministro firmou conosco é que ele vai trabalhar este ano em tentar obter terra de devedores da União”, disse.
Ao todo, os Sem Terra realizam mobilizações em 18 estados, com 20 mil pessoas mobilizadas e conquistou até mesmo concessões do novo governo Lula em pautas ligadas à Reforma Agrária.
“Foi uma Jornada de muita luta, muita resistência, onde nós pudemos fazer negociação com os governos dos estados, com os novos superintendentes do Incra já nomeados pelo presidente e o Ministro do MDA”, diz Margarida da Silva, da coordenação nacional do MST.
Desgaste com o governo Lula
Membros da Esplanada já expuseram o receio de as constantes invasões do Movimento diminuírem o capital político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Dentro do alto escalão do Executivo, existe o medo de que as pesquisas de opinião reflitam de maneira negativa na avaliação do governo, podendo, até, atrapalhar a tramitação de projetos no Congresso Nacional.
O ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, criticou as ocupações que o MST promove em fazendas e propriedades rurais. Segundo ele, existem “outras formas de lutar” e reivindicar os direitos.
O ministro Paulo Teixeira afirmou que as últimas invasões do MST estressaram a relação do grupo com o governo do presidente Lula. Ele disse que um plano nacional de reforma agrária vinha sendo discutido, mas agora deve atrasar.