Lula quer Plano Safra “melhor do que ano passado”
Reduzir as taxas é maior desafio, diz Carlos Fávaro
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Fávaro não esconde preocupação do Governo com sustentabilidade do Safra 2023/2024. (foto - CNA/Senar)
Para atender ao pedido do presidente Lula e apresentar um Plano Safra 2023/2024 “melhor do que no ano passado”, o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, diz estar concentrado na redução das taxas de juros.
Ontem, ao chegar para encontro de ex-ministros, em Brasília, Fávaro conversou com jornalistas, e reforçou que, para atingir tal objetivo, tem se reunido com o ministério da Fazenda e com o Banco Central.
“A orientação do presidente Lula é que plano safra seja melhor, com mais recursos e equalização de taxas de juros mais competitivas”, informou o ministro ao Estadão.
Neste sentido, também o aumento dos recursos é apontado como prioridade. “Há necessidade de aumento porque o custo de produção subiu sensivelmente nos últimos anos”, acrescentou Fávaro para quem “o próximo plano safra tem obrigação de buscar equalizar a taxas menores”.
A previsão do Mapa é anunciar a nova política agrícola, que entrará em vigor a partir de 1º de julho, ainda no primeiro semestre, como feito pelo governo anterior.
Nesta quinta-feira, a Confederação da Agricultura e Pecuária entregou ao Mapa um documento no qual pede a liberação de ao menos R$ 403,8 para o Plano Safra 2023/2024.
Agricultura de baixo carbono
Fávaro reafirmou ainda que que a agricultura de baixo carbono será a linha mestra do próximo Plano Safra 2023/24.
“Todo plano safra será ABC+. Isso não significa levar aos produtores alguma obrigação adicional às boas práticas que adotam para ter acesso ao crédito. As boas práticas serão premiadas no Plano Safra”, afirmou, ao Estadão.
Segundo o ministro, produtores com boas práticas ambientais, como aplicação de bioinsumos, terão acesso melhores condições de financiamento no Plano Safra.
Encontro com ex-ministros
Fávaro recebeu nesta quinta-feira (27) um grupo de 11 ex-ministros da pasta para debater os obstáculos já enfrentados e os próximos desafios da agropecuária brasileira. Segundo o Mapa, temas como sustentabilidade, segurança alimentar, crédito rural e inovação foram abordados pelos ministros.
“Mais do que as homenagens merecidas, queremos mostrar que esse agronegócio tão pujante na economia brasileira não é fruto de uma pessoa só, muitos trabalharam juntos com os produtores rurais para fazer esse agro tão forte”, disse Fávaro.
Ministro mais antigo presente no evento, Luiz Fernando Cirne Lima, que ocupou o cargo de 1969 a 1973, disse que a reunião foi muito proveitosa e lembrou a emoção de participar, nessa quarta-feira (26) do aniversário de 50 anos da Embrapa, fundada durante a sua gestão.
O ex-ministro Roberto Rodrigues, que esteve à frente da pasta entre 2003 e 2006, parabenizou Fávaro pelo encontro. "Quem não sabe de onde vem não sabe para onde vai", disse.
Segundo ele, os próximos desafios da humanidade estão relacionados com segurança alimentar, energética e as mudanças climáticas. "Esses três desafios são resolvidos pela agricultura", enfatizou.
A ex-ministra Tereza Cristina falou sobre os desafios em sua gestão, especialmente por causa da pandemia. Ela também destacou a importância de programas como o Pronasolos e o Observatório da Agropecuária.
Também estiveram no evento os ex-ministros Antônio Cabrera, Arlindo Porto Neto, Francisco Turra, Luis Carlos Guedes Pinto, Antônio Eustáquio Andrade Ferreira, Neri Geller e Marcos Montes. Os ex-ministros Blairo Maggi e Alysson Paolinelli participaram do evento por videoconferência.

Ministros reunidos com Fávaro. (foto - Mapa)