Em plena onda de invasões, ministros prestigiam feira do MST em São Paulo
Paulo Teixeira, do Desenvolvimento Agrário, ainda questionou a CPI e debochou da produção convencional
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Ministro Paulo Pimenta, da Comunicação Social, voltou a elogiar a produção de arroz orgânico do MST, mas ela representa apenas 0,14% do cultivo do produto no país.
O Governo Federal demonstrou, mais uma vez, sua proximidade e apoio ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) com a participação do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, e seis ministros na 4ª Feira da Reforma Agrária durante o último final de semana.
Além de Alckmin, que também lidera a pasta de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, passaram pela feira do MST os ministros Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário), Márcio França (Portos e Aeroportos), Gabriel Galípolo (interino da Fazenda), Paulo Pimenta (Secretaria de Comunicação Social), Márcio Macêdo (Secretaria-Geral da Presidência) e Luiz Marinho (Trabalho e Emprego).
O Governo Lula prestigia o grupo tem evidenciado tal proximidade em diversas ocasiões. Entre elas, o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, já havia comparecido à 1ª Festa da Colheita da Soja Livre de Transgênico da Reforma Agrária em fevereiro e o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva levou Pedro Stédile, uma das lideranças do MST, na comitiva em viagem oficial à China.
Afagos ao MST e deboche
A novo gesto público do primeiro escalão do governo petista ocorre em meio a uma onda de invasões de terra promovidas pelo próprio MST em diversos estados do país. Segundo a FPA (Frente Parlamentar da Agricultura e Pecuária), o país enfrente a sequência de invasões das últimas décadas, com mais de 40 casos desde fevereiro.
Apesar de promover e realizar abertamente invasões a propriedades privadas, o que é crime, o MST recebe “afagos” dos representantes do governo federal. O vice-presidente Geraldo Alckmin, por exemplo, ressaltou o “trabalho sério” dos sem terra na produção de alimentos e manifestou-se “cauteloso” em relação à CPI instaurada no Congresso Nacional para investigar o MST.
Mais incisivo, o ministro Paulo Teixeira criticou a oposição pela instalação da CPI. “Querem investigar o MST? Querem criar uma CPI para isso? Acho que vão achar coisas interessantes. Vão ver que, ali, tem suco de uva que não tem trabalho escravo. Vão encontrar produtos que não têm agrotóxicos. Vão encontrar soja não transgênica”, afirmou, referindo-se a alguns dos produtos produzidos pelo MST.
Já o ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Paulo Pimenta, disse que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), aberta no fim de abril na Câmara dos Deputados para investigar o movimento social, mostrará que o MST é um dos maiores produtores de alimentos do país.
Pimenta afirmou que não tem a preocupação de a oposição utilizar a CPI para atacar o governo. “Eu não tenho essa preocupação, pelo contrário. Eu acho que muita gente não conhece o MST como maior produtor de arroz orgânico da América Latina, o MST como grande produtor de comida, de alimento”, disse.
CPI das Invasões de Terra
A Câmara dos Deputados instaurou a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), no dia 26 de abril, para investigar a origem do financiamento e os envolvidos na série de invasões de terra privada em todo o país.
Em pouco mais de três meses, mais de 40 ocupações ocorreram em ao menos 18 estados, muitas delas, inclusive, foram assumidas por organizações como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e a Frente Nacional de Lutas (FNL).
De acordo com o presidente da Câmara dos Deputados, deputado federal Arthur Lira (PP-AL), a Comissão será composta por 27 membros titulares e o mesmo número de suplentes.
O requerimento que ensejou a instauração obteve amplo apoio da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que ainda em março, ressaltou que as invasões traziam prejuízos imensuráveis ao campo e às mesas dos brasileiros.