Fávaro diz que Plano Clima foi alinhado ao agronegócio
Apesar do discurso de alinhamento, lideranças do agro têm ido na direção oposta, manifestando críticas a trechos do Plano Clima
Por |
Objetivo, de acordo com Fávaro, é promover uma transição para uma economia de emissões líquidas zero de gases de efeito estufa (GEE) até 2050. (Foto Valter Campanato/Agência Brasil).
O ministro da Agricultura e Pecuária (Mapa), Carlos Fávaro, declarou que o novo Plano Clima do governo federal foi elaborado com “responsabilidade e ampla participação e alinhamento com os setores do agronegócio brasileiro”, reforçando, segundo ele, a participação técnica do setor produtivo e da sociedade civil no processo de construção do documento.
O Plano Clima é a política que define a participação de cada setor econômico nas mudanças climáticas e na redução de emissões de gases de efeito estufa.
Segundo o ministro, a elaboração do Plano Clima começou em 2023, ainda no âmbito do Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima (CIM) e seu Subcomitê-Executivo (Subex).
“Todo o processo foi construído com responsabilidade, transparência e participação do setor produtivo e da sociedade”, afirmou, ressaltando que a agricultura pode não só mitigar emissões, mas também sequestrar carbono por meio de práticas sustentáveis, como a recuperação de áreas degradadas e o manejo conservacionista do solo.
✅ CLIQUE AQUI PARA SEGUIR O CANAL DO AGROFY NEWS NO WHATSAPP
O objetivo, de acordo com Fávaro, é promover uma transição para uma economia de emissões líquidas zero de gases de efeito estufa (GEE) até 2050, ao mesmo tempo em que orienta políticas de adaptação às mudanças climáticas para as diversas cadeias produtivas brasileiras.
Fávaro destacou que o processo contou com consultas públicas, que resultaram em 443 contribuições e questionamentos sobre o Plano Setorial da Agricultura e Pecuária, além de diálogos com o setor, resultando em planos setoriais que contemplam mitigação e adaptação.
Críticas do agro e impasses
Apesar do discurso oficial de alinhamento, lideranças do agronegócio têm ido na direção oposta, manifestado críticas a trechos do Plano Clima, especialmente no que diz respeito à forma como as responsabilidades por redução de emissões são distribuídas.
Representantes da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e outras entidades afirmam que o texto original do plano atribuía à agropecuária parcelas de emissões relacionadas ao uso da terra que deveriam ser revisadas ou reatribuídas, e que dados não oficiais teriam sido utilizados para compor métricas ambientais.
A versão inicial do plano para o setor agrícola colocava a agropecuária como responsável pela geração de aproximadamente 1,4 bilhão de toneladas de CO₂, um volume que alçaria o agro no topo de principal emissor do país.
Entidades ligadas ao setor justificaram que parte importante dessas emissões se refere à prática de desmatamento ilegal, cuja responsabilidade de combate é dos estados.
O ministro Fávaro manifestou acordo com esse posicionamento.
Tensão interna
O episódio causou um problema interno entre o Mapa e o ministério do Meio Ambiente e Mudanças do Clima. O impasse fez com que o governo suspendesse, no início de novembro, o anúncio com as metas setoriais do Plano.
A discussão sobre o Plano Setorial de Agricultura e Pecuária, componente do Plano Clima, acabou sendo adiada para após a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), em Belém, diante da complexidade das negociações e da necessidade de maior consenso entre governo, setor produtivo e ministérios envolvidos.
O debate em torno do Plano Clima reflete a busca por um equilíbrio entre a necessidade de ações climáticas mais ambiciosas e a defesa dos interesses do setor agropecuário.