Pesquisa revela que 61% dos produtores de grãos não têm armazenagem nas fazendas
Além disso, 72,7% demonstrou interesse em investir em infraestrutura de estocagem
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Déficit em armazenagem previsto para a safra de grãos 2022/23 deverá ficar em 118,5 milhões de toneladas.
Uma pesquisa inédita realizada com produtores rurais de todas as regiões do Brasil apontou que 61% não têm infraestrutura de armazenagem na propriedade.
A pesquisa ainda mostrou que do restante (38,9%): 19,8% possuem armazém do tipo silo, convencional ou graneleiro, 9,2% têm também silo bolsa para complementar e 9,9% utilizam apenas o silo bolsa.
A pesquisa ouviu 1.065 produtores rurais, de todas as regiões do país e foi realizada pela Esalq-Log (USP), contratada pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
O objetivo foi o de traçar o perfil da armazenagem no campo e os resultados farão parte do primeiro diagnóstico da armazenagem agrícola no Brasil que deve ser apresentado pela CNA até o final do ano.
A armazenagem é um dos principais gargalos do Brasil, ocasionado aumento no custo da produção.
De acordo o presidente da Câmara Setorial de Equipamentos para Armazenagem de Grãos - CSEAG/ABIMAQ, Paulo Bertolini, por exemplo, o déficit em armazenagem previsto para a safra de grãos 2022/23 deverá ficar em 118,5 milhões de toneladas.
Ele ressaltou que a cada ano, enquanto a produção cresce cerca de dez milhões de toneladas, a armazenagem tem um aumento de cerca de cinco milhões de toneladas.
Investimento
De acordo com a pesquisa, a maior parte dos produtores ouvidos diz que investiria em armazenagem se tivesse taxa de juros atrativa. Cerca de 72,7% demonstrou interesse em investir na armazenagem por meio de um crédito com taxa de juros atrativas.
A pesquisa revela também que a maior parte dos produtores rurais quer expandir a capacidade estática de armazenagem. 54,0% dos produtores disseram ter interesse para comportar o aumento da produção própria, 15,9% para atender terceiros e produção própria e 30,1% não tem interesse.
Já as regiões com maior interesse em expandir a capacidade estática de armazenagem são o Norte (82,7%), Centro-oeste (78,4%) e Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) (73,3%).
Plano Safra
Durante o anuncio do Plano Safra no final de junho, o Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) recebeu um aumento no volume de recursos de 81% para construção de armazéns com capacidade de até seis mil toneladas e de 61% para armazéns de maior capacidade.
Na época, a Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil) classificou como "insuficiente" o valor do Plano Safra 2023-2024 destinado a estruturas de armazéns mesmo com aumento de até 81% para esta linha.
A pesquisa contratada pela CNA apontou que dos 1.065 produtores ouvidos, apenas 35,7% conhecem o Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) e 25,9% não conhecem as linhas.
Ganhos
Uma das principais constatações da pesquisa é que a armazenagem traz ganhos econômicos ao produtor rural. Quando questionados sobre o ganho econômico médio com o uso do armazém, nas últimas três safras, comparado ao preço médio na época de colheita, 40,8% teve ganho entre 6% e 20%.
Além disso, os volumes da safra de soja e da segunda safra de milho tendem a ter um benefício econômico em uma janela de comercialização tardia, consequência da dinâmica dos reajustes de preços.
Outro principal ganho está relacionado à redução no custo do frete, já que no pico do escoamento da safra brasileira de grãos, o valor do frete aumenta, diante da alta demanda.
Capacidade média
A capacidade média total dos armazéns no Brasil é de 159.385 mil sacas de grãos. Analisado por região, o Centro Oeste comporta 214.592 mil sacas, seguido pelo Matopiba com capacidade de armazenar 201.551 mil sacas e a região Sul com 141.565 mil sacas.
Cerca de 41,2% dos produtores armazenaram acima de 75,0% da sua produção de grãos em infraestrutura própria no ano de 2021. E 57,7% deles disseram que utilizam armazém do tipo silo;
Em relação ao tempo médio de armazenagem na própria infraestrutura, 42,2% responderam que guardam a produção de 4 até 6 meses e 22,5% de 7 até 9 meses. Na região Centro-Oeste, 54,0% produtores responderam que armazenam sua produção em um período de 4 a 6 meses;
O padrão mais típico do tempo médio de ocupação dos armazéns com grãos em 2021 no Brasil é de 7 a 9 meses. A média Brasil é de 31,6% de frequência. Entretanto, 29,3% dos produtores disseram armazenar os grãos de 4 a 6 meses e 23,8% de 10 a 12 meses.
No total, 84,7% dos produtores ocupam os armazéns de quatro a 12 meses para evitar o período de pico da safra. Isso demonstra a relevância de se ter armazém para esperar a melhor janela de tempo/oportunidade para escoar a safra (fugindo dos altos custos de transportes observados no período de pico de escoamento da safra), diz a CNA.
Segundo o estudo, considerando a armazenagem própria, 24,1% apontaram não ter observado perdas de produção e 20,1% responderam ter tido perdas de 0,11% a 0,25% por mês armazenado (dado considerado irrisório, menor que 1%).
Em algumas situações, o produtor pode receber um bônus ou prêmio por possuir infraestrutura de armazenagem própria. Segundo a pesquisa, 67,7% dos produtores não recebem nenhum tipo de bônus ou prêmio e 23,1% recebe até 5% no preço do produto;
Dificuldades
No item sobre as principais dificuldades com a gestão da armazenagem própria, os produtores elencaram:
- a falta de profissionais qualificados (24,8%),
- perdas físicas e de qualidade do grão (16,5%),
- gestão da umidade (7,8%) e
- alto custo de aquisição e necessidade de capital de giro (7,3%);
Terceirizados
Em 2021, 66,4% dos produtores que não possuíam infraestrutura de armazenagem contrataram serviços de terceiros.
As regiões com maiores taxas de contratação foram Centro-Oeste (86,5%), Sul (77,4%), Norte (64,9%) e Matopiba (59%).
Outra estatística levantada diz respeito a distância média percorrida entre a fazenda do produtor e o armazém contratado para entrega do produto. A média nacional é de 35,1 quilômetros.
O estado do Piauí foi o que apresentou a maior média de distância percorrida (110 km) e o Rio Grande do Sul a menor (16,1 km).