Quanto ganham os mais ricos do agro em cada estado?
Boom das commodities favoreceu enriquecimento de grandes produtores

Os agropecuaristas muito ricos, inclusive, fomentam “bolhas de riqueza” no interior do Brasil e protagonizam compra de mansões, carros de luxo, jatinhos e joias caras com pagamento à vista.
Os produtores mais ricos do agronegócio brasileiro faturam ao menos R$ 2,1 milhões em média por mês, segundo artigo publicado no Observatório de Política Fiscal da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Elaborado pelo especialista Sérgio Gobetti, o estudo “Concentração de renda no topo: novas revelações pelos dados do IRPF” mostra aumento médio da renda de elite em 96% contra 33% da população em geral no período entre 2017 e 2022.
Além disso, ele aponta que a concentração subiu ainda mais nos estados em que a economia é fundamentada no agronegócio. No caso do Mato Grosso do Sul, por exemplo, o 0,01% mais rico (221 pessoas) teve uma alta nominal na renda de 204% (ou 131% em valores reais).
Depois do Mato Grosso do Sul, as maiores taxas médias de expansão na renda do 0,01% mais rico foram verificadas em Amazonas (122% acima da inflação), Mato Grosso (115%) e Rondônia (106%).
Segundo o autor, o fato dessas taxas serem maiores nos estados em geral dominados pelo agronegócio não é mera coincidência. “Verificou-se no período analisado (2017-2022) um crescimento extraordinariamente alto da renda da atividade rural, principalmente nos estratos mais ricos”, diz.
Os agropecuaristas muito ricos, inclusive, fomentam “bolhas de riqueza” no interior do Brasil. Em tais regiões, a compra de mansões, carros de luxo, jatinhos e joias caras está cada vez mais frequente.
Se a elite rural está no grupo mais rico segundo o próprio autor, é possível extrair do estudo um quadro sobre a renda mensal dos agropecuaristas mais abastados do Brasil por estado.
Onde estão e quanto ganham os produtores rurais mais ricos do Brasil?
- 1- Mato Grosso – R$ 2,7 milhões por mês
- 2- Goiás – R$ 1,9 milhão por mês
- 3- Mato Grosso do Sul – 1,9 milhão por mês
- 4- Rondônia – R$ 1,2 milhão por mês
- 5- Tocantins – 1 milhão por mês
- 6- Roraima – R$ 906 mil por mês
*Extraído do estudo segundo os estados nos quais o agro é o principal setor econômico
Impacto do agro no IDH
Quando se fala de desenvolvimento social e humano, é interessante olhar para o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), que leva em conta a renda, educação e saúde.
Comparando-se o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da FAO de 1990 com 2010 em algumas regiões brasileiras pode-se ter uma ideia de como o desenvolvimento agropecuário melhora a vida das pessoas.
Nos estados com agricultura mais tradicional como São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul, o IDH passou, em média, de 0,542 para 0,782, com um crescimento de 44,2 % nos últimos 31 anos.
Em estados que sofreram uma segunda onda de crescimento agropecuário, como Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso do Sul, o IDH passou, em média, de 0,484 para 0,751, com crescimento de 55,1% no período. O mesmo processo agora se repete em regiões da Bahia, Tocantins e Piaui.
Enquanto isso o Brasil teve o IDH com alta de 0,490 para 0,754 desde 1990, crescendo 53,8%, também favorecido pelo agronegócio.
Considerando-se 38 municípios com grande influência agrícola no Brasil, 15 deles tinham IDH muito baixo em 1990, e não havia municípios agrícolas com IDH alto ou muito alto.
Em 2010 não havia mais, entre estes municípios, IDH muito baixo, 29 deles tinham IDH alto e três mostravam IDH muito alto. Fica assim patente o grande impacto do desenvolvimento agropecuário na sociedade como um todo.
Concentração de renda
O autor do estudo da FGV, no entanto, também destacou o crescimento da renda dos muito ricos a um ritmo duas a três vezes maior do que a média registrada por 95% dos brasileiros.
“Ao que tudo indica, o nível de concentração de renda no topo da pirâmide alcançou um novo recorde histórico, depois de uma década de relativa estabilidade da desigualdade”, disse.

A tabela acima compara a renda média em 2017 e 2022 de quatro estratos sociais: o milésimo (0,1%) mais rico, o 1% mais rico, os 5% mais ricos e os 95% restantes da população adulta (com 18 anos ou mais de idade).
Segundo o Gobetti, além dos mais ricos terem, em média, maior crescimento de renda do que a base da pirâmide, a performance é tanto maior quanto maior é o nível de riqueza.
Como resultado disso, a proporção do bolo apropriada pelos 1% mais rico da sociedade brasileira cresceu de 20,4% para 23,7%% entre 2017 e 2022.
Mais de quatro quintos dessa concentração adicional de renda foi absorvida pelo milésimo mais rico, constituído por 153 mil adultos com renda média mensal de R$ 441 mil em 2022.

