Em evento do MST, ministro diz que tem pressa para retomar reforma agrária
Paulo Teixeira falou a integrantes do movimento em São Paulo
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Evento do MST foi realizado em Guararema (SP). (Foto - Paulo Pinto/Agência Brasil)
“O tempo político nosso é o tempo da pressa. A bandeira política nossa é a reforma agrária”. Este foi o discurso do ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, no encerramento do encontro da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
O evento reuniu ao longo da semana os dirigentes do movimento na Escola Nacional Florestan Fernandes em Guararema, na Grande São Paulo. O espaço é um centro de formação do MST, que comemora 40 anos de fundação.
Em entrevista coletiva mais cedo, os representantes dos sem-terra reclamaram dos poucos avanços na redistribuição de terras durante o primeiro ano de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O ministro afirmou, porém, que está preparado para superar os obstáculos e conduzir um programa que garanta terras para as famílias camponesas.
“Sobre a reforma agrária, nós vamos tocar em todos esses pilares da dificuldade histórica do Brasil. Nós já estamos preparados para desencadear esse processo de reforma agrária”, disse.
Conflitos agrários
A violência no campo foi outro tema que Teixeira prometeu enfrentar.
Segundo ele, o governo está mapeando todos os conflitos no campo.
“Vamos denunciar essa milícia que se forma no Brasil e que matou uma indígena no sul do Bahia, nesta semana. Não vamos admitir que os movimentos indígenas, os movimentos quilombolas e os movimentos pela reforma agrária sofram violência. E nós vamos continuar lutando contra elas e contra aqueles que as praticam”, destacou.
No último domingo (21), uma comunidade pataxó hã-hã-hãe foi atacada por um grupo de homens que tentou retomar à força uma fazenda ocupada pelos indígenas e reivindicada como território tradicional.
Segundo a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) o ataque, que resultou na morte de uma mulher, foi planejado por um grupo autointitulado “Invasão Zero”.
Também participaram do evento do MST os ministros dos Direitos Humanos e da Cidadania do Brasil, Silvio de Almeida; do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho; da Secretaria de Governo, da Secretaria-Geral da Presidência da República, Márcio Macêdo.
Prateleira
Na semana passada, o ministro afirmou que sua pasta prepara um levantamento para estabelecer uma “prateleira de terras” destinada à reforma agrária e demarcação de áreas quilombolas.
Ele definiu a medida para atender a um pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segundo informação divulgada pela Agência Estado.
Teixeira disse que Lula vê a “prateleira” de terras improdutivas como uma “solução pacífica” para evitar invasões de terra.