Ibama bane inseticida sem apresentar razões técnicas, diz Aprosoja

Orgão ambiental decidiu restringir o uso agrícola do tiametoxam para proteger abelhas

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Decisão foi publicada em um comunicado em edição extra do Diário Oficial da União na noite dessa quinta-feira (dia 22). (Foto - CNA)

Decisão foi publicada em um comunicado em edição extra do Diário Oficial da União na noite dessa quinta-feira (dia 22). (Foto - CNA)

23deFevereirode2024ás14:50

A decisão do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) de restringir o uso agrícola do inseticida tiametoxam, publicada ontem (dia 23), não foi bem aceita pela Associação Brasileira dos Produtores de Soja e Milho (Aprosoja Brasil).

Para a entidade, a medida  vai resultar em prejuízos à produção agrícola e perda de eficiência no combate a pragas, além da elevação de custos.

Segundo a Aprosoja, o produto, um neonicotinoide que é o quinto pesticida de maior valor de mercado global, está sendo banido pelo órgão ambiental federal mesmo que não haja um substituto à altura para os agricultores protegerem as lavouras.

Os neonicotinoides são inseticidas usados para o controle do percevejo, do bicudo e da cigarrinha, que atacam soja, algodão e milho, respectivamente. “São produtos eficientes e menos tóxicos do que outros disponíveis no mercado”, diz a Aprosoja.

Segundo a nota, a substância, que também é pulverizada no combate à dengue, não traz riscos à saúde humana.

“Mas em seu parecer técnico, o Ibama diz que o Tiametoxam ameaça as abelhas e sustenta sua posição no princípio da precaução, tendo em vista a mortalidade de abelhas na Europa”, explica.

Na Europa

No entanto, a proibição dos neonicotinoides no continente europeu não reverteu a diminuição da população de abelhas, acusa a entidade.

“Os cientistas ainda não encontraram uma causa específica para o fenômeno no Hemisfério Norte, mas identificaram um conjunto de fatores, dentre os quais a falta de habitat, água, poluição, doenças e outros pesticidas”, explica a Aprosoja.