Agro fixa mais carbono que vegetação nativa em áreas do Cerrado

Professor titular da Esalq diz que Brasil está muito à frente em práticas sustentáveis e deve avançar ainda mais

“Nossa preocupação mais ampla deve ser com a estabilidade e qualidade desse carbono", diz Carlos Eduardo Cerri, professor titular da Esalq e diretor da CCarbon/USP

“Nossa preocupação mais ampla deve ser com a estabilidade e qualidade desse carbono", diz Carlos Eduardo Cerri, professor titular da Esalq e diretor da CCarbon/USP

16deMaiode2024ás15:45

Boas práticas na agricultura fixam até mais carbono no solo do que a vegetação nativa em algumas áreas do Cerrado. A afirmação é de um dos maiores especialistas do mundo no assunto, Carlos Eduardo Cerri, professor titular da Esalq e diretor da CCarbon/USP.

“A gente já avaliou que áreas com práticas de manejo sustentável aumentaram consideravelmente o nível de carbono no solo, especialmente nos 30 cm superiores, em comparação com algumas áreas de vegetação nativa”, disse em entrevista ao Agrofy News Brasil durante o evento Bayer Forward Farming na última terça-feira (dia 14)

Comparativamente, os solos do Cerrado têm menos matéria orgânica do que de florestas como da Amazônia ou da Mata Atlântica. Neste sentido, práticas avançadas de agricultura sustentável, mesmo para grãos, podem até mesmo fixar mais carbono do que a cobertura natural em certos casos.

Segundo o professor, a adoção de agricultura regenerativa, por exemplo, tem a capacidade de acumular carbono, retirando CO2 da atmosfera, um dos principais gases causadores das mudanças climáticas, seja por cobertura vegetal, mas sobretudo pelas raízes.

“Às vezes, se dá pouca importância para as raízes, mas elas têm uma capacidade fantástica e respondem por 60% e até 70% da fixação de carbono. Elas ajudam compostos orgânicos de baixa massa molecular a fixar em cada vez mais”, acrescenta.