Conab anula leilão do arroz importado e Geller cai após denúncias

    Fontes do próprio governo avaliam que houve conflito de interesses por participação de empresa de assessor do ex-secretário de Política Agrícola

    Conab anula leilão do arroz importado e Geller cai após denúncias
    11deJunhode2024ás16:33

    O Governo Federal decidiu, hoje (dia 11), anular o leilão para compra de arroz beneficiado importado realizado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) na última quinta-feira.

    Além disso, o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Neri Geller, teria sabido de sua demissão apenas pela imprensa.

    Os desdobramentos ocorrem após dias de denúncias sobre possíveis irregularidades na participação de pessoas ligadas ao agora ex-secretário no certame público para compra do produto importado.

    Membros do próprio Governo Federal teriam classificado o episódio como “conflito de interesses” e os ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário trabalharam para evitar um escândalo de maiores proporções.

    A partir da anulação, os mecanismos para a realização de leilão serão revistos pela Conab, com apoio da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Controladoria-Geral da União (CGU).

    Com isso, o governo busca assegurar que as empresas participantes tenham a solidez que uma operação deste porte exige. "Nenhum centavo do dinheiro público foi gasto até agora. A segurança jurídica e o zelo com o dinheiro público são princípios inegociáveis. É isso que justifica a decisão tomada”, afirma o presidente da Conab, Edegar Pretto.

    O episódio já havia motivado pedidos de investigações na Justiça e até de instalação de uma CPI no Congresso Nacional. O próprio presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, teria cobrado uma solução até como forma de proteger o ministro Carlos Fávaro.

    Entenda o caso

    As denúncias surgiram pela participação no leilão de supostas empresas de fachada e empresários próximos a Geller.

    A Bolsa de Mercadorias de Mato Grosso (BMT) e a Foco Corretora de Grãos são empresas criadas em maio de 2023 por Robson Luiz de Almeida França, ex-assessor do então deputado federal Neri Geller.

    As duas empresas intermediaram a venda de 44% das 263,3 mil toneladas de arroz importado vendido no certame público. As empresas negam qualquer tipo de favorecimento no certame.

    As duas companhias negociaram 116 mil toneladas no pleito, cujos arremates das suas clientes vão somar R$ 580,1 milhões dos R$ 1,3 bilhão movimentados.

    A BMT e a Foco faturariam comissões de corretagem em cima desses valores. Elas representaram três das quatro empresas arrematantes do leilão: ARS Locação de Veículos e Máquinas, Zafira Trading e Icefruit Indústria e Comércio de Alimentos.

    Quem é Neri Geller?

    O ex-deputado e ex-ministro Neri Geller foi nomeado como secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) no final do ano passado, dia 22 de dezembro.

    A nomeação ocorreu apenas uma semana após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reverter a decisão que cassou o mandato do político de deputado federal no Mato Grosso no ano passado.

    Ele havia se tornado inelegível por oito anos por suposto abuso de poder econômico e triangulação bancária nas eleições de 2018. Em 2022, sua candidatura ao Senado Federal por Mato Grosso também foi barrada por conta dessa decisão.

    Geller foi uma das pontes de Lula com o agronegócio durante a campanha eleitoral do ano passado, ao lado Carlos Fávaro, que se tornou ministro da Agricultura e Pecuária.

    Ele ocupou o mesmo cargo no governo de Dilma Rousseff e foi ministro da Agricultura em 2014

    Temas nesta notícia