Mapa anuncia Wilson Vaz de Araújo para vaga de Neri Geller
Servidor de carreira é o novo secretário de Política Agrícola
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O governo federal nomeou Wilson Vaz de Araújo como o novo secretário adjunto de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Ele substitui Neri Geller, que caiu após a polêmica envolvendo o último leilão para importação de arroz.
A portaria nº 672 com a nomeação de Araújo foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União da última sexta-feira (dia 14).
Vaz é servidor de carreira da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e estava na diretoria do Departamento de Política de Financiamento ao Setor Agropecuário da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura.
Curiosamente, ele ocupava o cargo que assume agora antes de Geller ser nomeado no ano passado.
Saída de Geller
Neli Geller deixou o cargo na semana passada após denúncias sobre possíveis irregularidades na participação de pessoas ligadas a ele no certame público para compra do produto importado.
A saída gerou polêmica. O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, falou que Geller tinha pedido demissão. O antigo diretor, porém, negou ter pedido demissão e disse que soube de seu desligamento "pela imprensa".
Além de Geller, o diretor executivo de Operações e Abastecimento da estatal, Thiago José dos Santos, deixou o cargo por causa do leilão. Ele, que é ex-assessor de Geller, tirou licença remunerada. Thiago será substituído pelo diretor de Política Agrícola e Informações (DIPAI) Silvio Porto.
O motivo do seu afastamento por enquanto temporário não foi explicado pela Conab. Após seu retorno, não é descartada sua demissão.
A proximidade entre Geller e Thiago foi um dos motivos para que o leilão fosse anulado por conflito de interesses.
Entenda as denúncias
As denúncias surgiram pela participação no leilão de supostas empresas de fachada e empresários próximos a Geller.
A Bolsa de Mercadorias de Mato Grosso (BMT) e a Foco Corretora de Grãos são empresas criadas em maio de 2023 por Robson Luiz de Almeida França, ex-assessor do então deputado federal Neri Geller.
As duas empresas intermediaram a venda de 44% das 263,3 mil toneladas de arroz importado vendido no certame público. As empresas negam qualquer tipo de favorecimento no leilão.
As duas companhias negociaram 116 mil toneladas no pleito, cujos arremates das suas clientes vão somar R$ 580,1 milhões dos R$ 1,3 bilhão movimentados.
A BMT e a Foco faturariam comissões de corretagem em cima desses valores. Elas representaram três das quatro empresas arrematantes do leilão: ARS Locação de Veículos e Máquinas, Zafira Trading e Icefruit Indústria e Comércio de Alimentos.
Na terça-feira (dia 11), o governo anulou a compra de 263,3 mil toneladas de arroz importado após avaliar que a maioria das empresas vencedoras não tinha capacidade financeira de honrar os contratos.
No anúncio do cancelamento, o governo informou que o novo edital terá a participação da Controladoria-Geral da União (CGU), da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Receita Federal para que as empresas participantes sejam analisadas antes do leilão.
O edital do novo leilão de arroz importado deve sair no prazo de uma semana até dez dias, garantiu o ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira na semana passada.