FPA lidera agro da América do Sul contra protecionismo europeu
A criação de um bloco agropecuário coeso é visto como essencial
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As críticas à Lei Antidesmatamento da União Europeia (EUDR) foram o foco principal entre parlamentares e representantes do setor agropecuário do Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Chile.
Eles se reuniram, na terça-feira (dia 15), na sede da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), em Brasília, para a 1ª Cúpula Sul-Americana AgroGlobal.
A união dos países sul-americanos é considerada essencial para enfrentar as barreiras protecionistas impostas pela União Europeia.
O presidente da FPA, deputado federal Pedro Lupion (PP-PR), defendeu a criação de um bloco agropecuário coeso, destacando que “o Brasil e seus vizinhos precisam demonstrar que sua produção é ambiental e socialmente responsável”.
Essa cooperação é vista como crucial para fortalecer a posição da América do Sul no cenário global, especialmente no contexto do acordo Mercosul-União Europeia.
Necessidade de União
Sonia Tomassone, representante de Relações Internacionais da Câmara Paraguaia de Exportadores e Comercializadores de Cereais e Oleaginosas (CAPECO), enfatizou a necessidade de união entre os países sul-americanos para enfrentar os desafios impostos pela Europa.
“A União Europeia quer nos dizer o que fazer. Temos que defender nosso sistema produtivo de forma firme e trabalhar juntos. É difícil, porque eles são muito fechados e burocráticos. Precisamos medir e mostrar ao mundo como somos sustentáveis. Ou nos unimos, ou enfrentaremos grandes problemas no futuro. Fazemos parte da solução, não do problema”, afirmou Sonia.
Barreiras Econômicas
O presidente da Comissão de Agricultura e Pecuária do Senado da Argentina, senador Alfredo de Angeli, considerou a lei antidesmatamento uma forma de barreira econômica.
“Os países do Mercosul são os que menos contaminam no mundo. No entanto, eles impõem exigências que, embora apresentadas como barreiras ecológicas, são também econômicas”, declarou ao Agro Estadão.
Perspectivas para o Setor de Celulose
Gabriel Delgado, representante do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) no Brasil, abordou os impactos das novas legislações europeias no setor de celulose, do qual o Brasil é um grande exportador.
“Nossa região está enfrentando dificuldades, pois temos que nos adaptar às leis dos mais fortes. No setor de commodities, lidamos com questões como a regra do desmatamento. Temos uma tradição de 30 anos e somos um exemplo de como crescer e ganhar competitividade enquanto preservamos o meio ambiente”, disse.
Delgado também ressaltou as dificuldades nas negociações com a União Europeia.
“Em março, fomos a Bruxelas discutir com a Comissão Europeia e o Parlamento sobre o pedido de adiamento da aplicação da lei de desmatamento. Se aplicada sem alterações, a Europa enfrentaria escassez de produtos essenciais, pois o Brasil é o maior exportador de celulose do mundo. A tentativa da Europa de legislar para o mundo inteiro é uma incongruência que não podemos aceitar”, concluiu.
Humildade nas negociações
Nilson Leitão, presidente do Instituto Pensar Agro (IPA), defendeu que “a União Europeia precisa ter um pouco mais de humildade para sentar e entender que Brasil, Argentina, Chile, Uruguai e Paraguai não são colônias”. “Estamos em pleno desenvolvimento e contribuindo para a segurança alimentar do mundo”, afirmou.
Leitão reforçou que a união dos países sul-americanos é a chave para enfrentar os desafios impostos pelo mercado europeu. “Juntos, temos mais força para negociar com a União Europeia e superar as barreiras que limitam nosso acesso ao mercado internacional”, concluiu.
O presidente do IPA anunciou a intenção de elaborar uma carta de intenções com os entendimentos dos setores produtivos dos países participantes da cúpula. “O objetivo principal é unificar uma pauta para discutir a agropecuária da América do Sul com o mundo”, indicou Leitão.
Aliança contra as mudanças climáticas
O plantio direto é considerado uma ferramenta eficaz no combate às mudanças climáticas, duplicando a capacidade do solo de captura de carbono. Essa prática não apenas ajuda a remover o dióxido de carbono da atmosfera, mas também reduz em 40% as emissões de CO2 na agricultura.
“Em tempos de intensas discussões sobre mudanças climáticas, o plantio direto surge como uma solução integrada que alia tecnologia e sustentabilidade”, afirmou Santiago Guazzelli, representante da Associação Argentina de Produtores de Plantio Direto.
Guazzelli destacou o impacto positivo dessa técnica na agricultura sustentável.
“O plantio direto, que elimina a necessidade de aragem do solo e mantém sua cobertura vegetal, é considerado uma revolução agrícola sustentável. Essa técnica não só aumentou a produtividade, mas também reduziu a erosão em 25% e melhorou a estabilidade da produção em 13% em comparação com métodos convencionais.”
Os benefícios se estendem também à redução do uso de insumos.
De acordo com Guazzelli, esse sistema diminui em 60% o uso de combustíveis fósseis e reduz pela metade o impacto ambiental relacionado ao uso de defensivos agrícolas, contribuindo para a preservação da biodiversidade. “Além disso, o método de plantio direto economiza 50% na aplicação de fertilizantes sintéticos, grandes emissores de gases de efeito estufa”, explicou.