Lula x Maduro: Venezuela acusa Brasil de barrar sua entrada no Brics e fala em agressão

    Na América Latina, apenas Cuba e Bolívia foram selecionados

    Por |
    Lula x Maduro: Venezuela acusa Brasil de barrar sua entrada no Brics e fala em agressão
    25deOutubrode2024ás17:00

    O governo da Venezuela acusou o Brasil de vetar sua entrada no bloco do Brics, caracterizando o ato como uma agressão. Em resposta, o Itamaraty esclareceu que o grupo apenas estabeleceu critérios e princípios para novas adesões. 

    Nesta semana, durante uma reunião em Kazan, na Rússia, os países que poderiam se tornar membros associados foram definidos, e a Venezuela não foi incluída na lista.

    “O povo venezuelano sente indignação e vergonha por esta agressão inexplicável e imoral da diplomacia brasileira (Itamaraty), mantendo o pior das políticas de Jair Bolsonaro contra a Revolução Bolivariana fundada pelo comandante Hugo Chávez”, afirmou, em nota, o ministério das Relações Exteriores venezuelano.

    Após um consenso entre os dez países membros do Brics, a Rússia convidou 13 nações para se juntarem ao bloco como membros associados. Na América Latina, Cuba e Bolívia foram selecionadas. 

    Além disso, Turquia, Nigéria, Indonésia, Argélia, Belarus, Malásia, Uzbequistão, Cazaquistão, Tailândia, Vietnã e Uganda também receberam convites. 

    Atualmente, o Brics é composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, além dos recém-incorporados Irã, Emirados Árabes Unidos, Etiópia e Egito.

    Desde a reeleição do presidente Nicolás Maduro em 28 de julho deste ano, o Brasil tem se afastado diplomáticamente da Venezuela. A eleição foi contestada pela oposição e por organismos internacionais, incluindo o Brasil, devido à falta de apresentação dos dados eleitorais por mesa de votação.

    Maduro demonstrou interesse em integrar o Brics e participou da 16ª cúpula do grupo na Rússia, onde se reuniu com o presidente Vladimir Putin. 

    Em coletiva de imprensa na quinta-feira (24), Putin afirmou respeitar a posição do Brasil em relação à eleição venezuelana, apesar de não concordar.

    “Espero sinceramente que Brasil e Venezuela resolvam suas relações bilaterais durante a discussão. Conheço o presidente Lula como uma pessoa decente e honesta e tenho certeza de que ele abordará esta situação de forma objetiva. Pedi-me que transmitisse algumas palavras ao presidente da Venezuela durante nossa conversa telefônica. Espero que a situação melhore”, disse Putin, ressaltando que a inclusão de novos países depende do consenso dos membros plenos do grupo.

    Critérios de inclusão

    O Itamaraty explicou que não defende a inclusão de um ou outro país, mas que propôs a criação de critérios e princípios que orientam a escolha dos novos membros do Brics. 

    O embaixador Eduardo Paes Saboia, secretário de Ásia e Pacífico do Ministério das Relações Exteriores (MRE), mencionou que os critérios incluem a defesa da reforma da ONU, a rejeição a sanções econômicas unilaterais e a manutenção de relações amigáveis com todos os países membros.

    A professora Maria Elena Rodríguez, coordenadora do grupo de pesquisa sobre Brics da PUC do Rio de Janeiro, avaliou que a posição do Brasil é coerente, considerando que as relações com a Venezuela não são amigáveis no momento.

    “Não temos uma relação amigável com a Venezuela, e a mesma situação se aplica à Nicarágua, que também havia manifestado interesse em integrar o Brics. Esse é um ponto fundamental: não se pode ter no bloco dois países com os quais você não tem boas relações”, observou.

    Em agosto deste ano, Brasil e Nicarágua expulsaram seus embaixadores após desentendimentos relacionados a conflitos entre os governos. A pedido do Papa Francisco, o Brasil vinha tentando mediar a libertação de um bispo preso na Nicarágua, ação que não foi bem recebida pelo governo de Daniel Ortega.

    Em agosto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou o governo venezuelano como “autoritário” e manifestou oposição a uma nota do PT, seu partido, que reconheceu a vitória de Maduro. Segundo Lula, não é possível aceitar qualquer resultado sem provas claras.

    Temas nesta notícia