Agro deveria cortar 30% de suas emissões para Brasil cumprir nova NDC

    Percentual considera fim das emissões líquidas por desmatamento mais a contribuição da indústria e geração de energia 

    Agro deveria cortar 30% de suas emissões para Brasil cumprir nova NDC
    19deNovembrode2024ás11:49

    A agropecuária deveria reduzir em 30,7% suas emissões líquidas de CO2 equivalente para que o Brasil possa cumprir as novas metas de NDC assumidas durante a COP29.

    Em volume, isso significa corte de 135,5 milhões de toneladas de gases de efeito estufa em relação a 2023 até 2035.

    O cálculo é possível a partir das metas declaradas pelo Governo Federal no evento de Baku, no Azerbaijão, da parametrização de especialistas no tema e dos dados do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG).

    O Brasil assumiu o compromisso mais ambicioso do mundo de reduzir suas emissões líquidas em 67% em relação a 2005 até 2035. Na prática, isso significa cortar do total de 2,342 bilhões de toneladas para 772,8 milhões de toneladas de CO2eq em uma década.

    Se no ano passado, o país emitiu 1,558 bilhão, ainda restaria 785,1 milhões de toneladas ao ano. De acordo com especialistas no tema, o caminho para alcançar tal objetivo teria três grandes prioridades: desmatamento zero, agropecuária e energia/processos industriais.

    No tópico “mudança de uso da terra e floresta”, zerar o desmatamento eliminaria 514 milhões de toneladas das emissões ao ano, restando 271,1 milhões de toneladas que seriam divididos entre a agropecuária e a geração de energia/processos industriais.

    Como a agropecuária, segundo o SEEG, emitiu 441,2 milhões de toneladas em 2023, o setor deveria cortar 135,5 milhões de toneladas ou 30,7% de suas emissões até 2035. O mesmo volume, assim, caberia ao setor de energia e indústria.

    O desafiante número colocaria o Brasil em posição ainda mais privilegiada no tema da sustentabilidade, mas suscita diversos debates e sérios questionamentos.

    NDC mais ambiciosa do mundo

    A meta brasileira de NDC é a mais ambiciosa do mundo, com 67% de redução entre 2005 e 2035, e contrasta com os compromissos assumidos por outros países.

    Para se ter ideia, Europa, Japão e Noruega prometem reduzir 55% das emissões até 2030, desde 1990, enquanto EUA de 50 a 52% e a Austrália, 43%.

    Na governança ambiental, a NDC é obrigação global, assumida pelos governos, mas realizada em sua maior parte pela iniciativa provada. E como se sabe, obrigação é dívida, que precisará ser cumprida, sob acompanhamento e auditoria da ONU (Organização das Nações Unidas).

    Contudo, o governo ainda não detalhou como espera dividir tal passivo ambiental, nem durante o processo de elaboração das novas metas e nem após o cinematográfico anúncio. Espera-se que o faça nos próximos meses, talvez, em fevereiro.

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