Cana-de-açúcar: outubro registra queda de produtividade de 20%; estiagem gera prejuízo de R$ 1,3 bilhão
Mês trouxe desafios marcantes para os produtores
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O mês de outubro trouxe desafios marcantes para os produtores de cana-de-açúcar. A região Centro-Sul registrou uma queda média de 20% na produtividade dos canaviais, comparada ao mesmo período do ano passado.
Além disso, a estiagem histórica entre abril e outubro resultou em prejuízos estimados em R$ 1,3 bilhão, afetando cerca de 380 mil hectares de propriedades rurais.
Produtividade em queda
Segundo o Boletim De Olho na Safra, divulgado pelo Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), a produtividade média em outubro foi de 61,7 toneladas por hectare (t/ha), inferior às 77,4 t/ha registradas no mesmo mês da safra anterior.
Ainda assim, no acumulado até outubro, a produtividade chegou a 80,0 t/ha, dentro da média das últimas 10 safras (79,7 t/ha).
Apesar da queda no rendimento, a qualidade da matéria-prima (ATR) melhorou devido à falta de chuvas. Até outubro, o ATR acumulado foi de 138,3 kg de ATR/t de cana, superior ao índice da safra passada (137,0 kg/t).
Impactos da estiagem histórica
A seca prolongada impactou severamente as regiões produtoras, reduzindo a umidade do ar e aumentando a ocorrência de queimadas e incêndios em proporções inéditas em algumas áreas do Centro-Sul.
“Em 2024, esse desastre natural gerou prejuízo estimado de R$ 1,3 bilhão em cerca de 380 mil hectares de propriedades rurais com produção de cana-de-açúcar no Brasil”, afirmou Lucas Campase, agrônomo e profissional de Desenvolvimento de Mercado na Rainbow Agro.
A recuperação das áreas afetadas é desafiadora, já que a cana-de-açúcar demanda tempo para retomar o crescimento após o estresse hídrico e os danos causados pelas queimadas.
“O primeiro alerta é para o agricultor escolher quais herbicidas utilizar com a retomada das chuvas, indicados para combater plantas daninhas que competem por recursos básicos e essenciais para o desenvolvimento da cana. Temos que controlar o mato sem causar fitotoxicidade no canavial”, explicou o especialista.
Ele também destacou a importância de avaliar o impacto da seca no solo, a ocorrência de queimadas e a textura do terreno antes de definir moléculas e dosagens de herbicidas.
“Optar por tecnologias adaptadas para cada situação faz com que a eficácia do agroquímico seja otimizada”, acrescentou.