Abate de bovinos supera 10 milhões de cabeças por trimestre pela 1a vez no Brasil

    Houve, também, recordes no abate de suínos e de frangos

    Comparado ao mesmo período do ano anterior, o abate de bovinos cresceu 15,3% no terceiro trimestre de 2024. (Foto: Licia Rubinstein/Ag. IBGE)

    Comparado ao mesmo período do ano anterior, o abate de bovinos cresceu 15,3% no terceiro trimestre de 2024. (Foto: Licia Rubinstein/Ag. IBGE)

    05deDezembrode2024ás14:24

    Pela primeira vez na história, o abate de bovinos no Brasil ultrapassou a marca de 10 milhões de cabeças em um trimestre.

    De acordo com dados divulgados hoje (5) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número atingiu 10,37 milhões no terceiro trimestre de 2024, representando um aumento de 15,3% em relação ao mesmo período de 2023.

    Além disso, os setores de suínos e frangos também registraram recordes históricos, consolidando o período como um marco na produção pecuária nacional.

    Produção de bovinos em alta

    “O ano de 2024 tem sido recorde para o abate de bovinos e a produção de carne. Estamos caminhando para um recorde anual, dependendo do desempenho do quarto trimestre”, destacou Angela Lordão, gerente da pesquisa.

    Segundo Angela, o mês de julho de 2024 marcou o maior número de abates em um único mês desde o início da série histórica, em 1997. Esse desempenho reflete uma combinação de fatores, incluindo a alta oferta de animais resultante da retenção de fêmeas entre 2019 e 2021.

    “Além disso, ainda estamos em uma fase de baixa de ciclo, não em número de animais, mas sim de preços, com os preços do bezerro em baixa ainda, então, não vale a pena para o produtor reter fêmeas, encaminhando-as para o abate”, explicou a gerente da pesquisa.

    Em comparação ao terceiro trimestre de 2023, foram abatidas 1,37 milhão de cabeças a mais, com 25 das 27 unidades federativas apresentando crescimento. O abate de fêmeas subiu 19,6%, enquanto o de machos teve alta de 12,5%.

     Pecuaria

    Exportações também bateram recordes, atingindo 706,43 mil toneladas de carne bovina no trimestre, um aumento de 30,6% em relação ao ano anterior.

    Angela explicou, ainda, que há uma grande demanda pela carne bovina tanto interna quanto externa. “Estamos com exportações recordes, e aqui no mercado interno também temos observado um aumento do consumo per capita das famílias”, acrescentou.

    Frangos e suínos seguem em expansão

    O abate de frangos alcançou 1,62 bilhão de cabeças no trimestre, um aumento de 2,8% em comparação ao terceiro trimestre de 2023 e de 0,8% em relação ao trimestre anterior. O desempenho marcou um recorde trimestral histórico.

    O segmento de suínos também foi destaque, com 14,95 milhões de cabeças abatidas, crescimento de 2,1% em relação ao mesmo período de 2023 e 2,6% em relação ao segundo trimestre de 2024. As exportações de carne suína também cresceram, impulsionadas pela abertura de novos mercados.

    As exportações brasileiras de carne de frango também continuam em alta no 3° trimestre de 2024 e alcançaram o segundo melhor resultado na série histórica da Secex.

    “O Brasil se consolida como o maior exportador mundial de carne de frango e segue avançando no mercado internacional de carne suína”, explicou Angela.

    Frango abate

    Produção de ovos atinge maior patamar da história

    A produção de ovos de galinha somou 1,2 bilhão de dúzias no terceiro trimestre de 2024, o maior volume já registrado. O aumento foi de 10,3% em relação ao mesmo período de 2023 e 3% na comparação trimestral.

    Segundo Angela, a maior oferta de ovos, especialmente para consumo, refletiu na queda dos preços, tornando-os uma opção mais acessível para a população.

    " Tivemos uma oferta bem maior, principalmente dos ovos para consumo, que levou a uma queda de preços dos ovos, ", explicou Angela Lordão.

    Foram produzidas 111,94 milhões de dúzias de ovos a mais em comparação com o 3º trimestre de 2023.

    Setor leiteiro cresce apesar de desafios climáticos

    A aquisição de leite cru pelas indústrias somou 6,30 bilhões de litros no trimestre, um crescimento de 7,1% em relação ao segundo trimestre de 2024, apesar de uma queda de 0,3% na comparação anual.

    O preço médio pago ao produtor chegou a R$ 2,80, 20,7% acima do registrado no mesmo período de 2023.

    Leite IBGE

    Angela destacou que a recuperação da produção em Minas Gerais, maior produtor nacional, contribuiu para o desempenho positivo, embora muitos estados ainda enfrentem impactos da seca severa e queimadas.

     "Com uma oferta menor no campo, temos uma competição maior pelas indústrias, e isso tende a elevar o preço do leite”, explicou a gerente da pesquisa.

    Aumento no processamento de couro

    A produção de couro também registrou alta, com os curtumes recebendo 10,55 milhões de peças no trimestre, 17,4% acima do mesmo período de 2023. “O aumento está diretamente ligado ao recorde no abate de bovinos”, concluiu Angela.

    O desempenho geral do setor reforça o Brasil como líder mundial em diversos segmentos da produção pecuária.

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