Líder do MST critica governo Lula e chama gestão da reforma agrária de “vergonhosa”
Stedile classificou a atuação do MDA e Incra como “incompetente”
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afirmou que o movimento está cansado das promessas não cumpridas pela gestão federal. (Foto - MST)
O principal líder nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stedile, fez duras críticas à condução da reforma agrária pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, publicada neste domingo (15), Stedile afirmou que o movimento está cansado das promessas não cumpridas pela gestão federal.
“Os 4 milhões de camponeses mais pobres também não tiveram nenhuma política pública que enfrente a pobreza. Cada setor popular tem propostas de curto prazo para o governo, mas não têm tido desenvolvimento”, declarou ao jornal.
Stedile foi categórico ao afirmar que não houve avanços significativos na reforma agrária.
“É uma vergonha. Já estamos há um ano e meio, e nada aconteceu. O crédito para os assentados não avançou, nem o Pronera [Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária]. O Pronera é o programa mais civilizatório que qualquer governo poderia implementar, pois facilita o acesso dos jovens camponeses à universidade. É uma vergonha”, criticou.
Ele também classificou a atuação do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) como “incompetente”. Segundo ele, não basta mais propaganda ou eventos no Palácio do Planalto.
“Nós queremos medidas concretas que solucionem problemas reais. Faz dois anos que o governo fala em ‘pacotes’. Anunciaram a tal ‘prateleira de terras’ e tantas outras promessas embaladas como presente de Natal. Isso não resolve”, afirmou.

Stedile ainda apontou deficiências no Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), destacando que ele tem sido insuficiente para atender as demandas dos trabalhadores rurais.
Promessas e críticas ao Terra da Gente
Em abril deste ano, o governo federal lançou o programa Terra da Gente, com a proposta de acelerar a reforma agrária. Segundo o planejamento, até 2026, 295 mil famílias agricultoras deverão ser beneficiadas, com 73 mil contempladas já em 2024. O orçamento para aquisição de terras está estimado em R$ 520 milhões.
O programa prevê a identificação de áreas disponíveis para assentar famílias, promovendo inclusão produtiva, resolução de conflitos agrários e aumento da produção de alimentos. No entanto, Stedile considera as ações insuficientes e questiona a falta de resultados concretos.
Ele deu como exemplo um curso de Administração Rural pelo Pronera, anunciado pelo governo há seis meses. “O curso não tem um centavo, e a UFSCAR [Universidade Federal de São Carlos] não quer começar. Não basta propaganda. Nós queremos soluções reais, pois os problemas só se agravam”, ressaltou.
Reunião com o presidente Lula
Stedile informou que uma reunião com o presidente está programada para revisar os acordos firmados em agosto, durante um encontro na Granja do Torto. “A impressão que temos é que, em geral, os ministros não falam a verdade para o presidente”, disse.
Homenagem no Rio Grande do Sul gera polêmica
Apesar da pressão de deputados da oposição e entidades do agronegócio, João Pedro Stedile será homenageado nesta segunda-feira (16), às 17h, com a Medalha do Mérito Farroupilha, a maior honraria concedida pelo Legislativo gaúcho.
A condecoração é destinada a pessoas que contribuem para o desenvolvimento econômico, social ou cultural do estado. A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul rejeitou os pedidos de cancelamento feitos por setores contrários à entrega da medalha.