Líder do MST critica governo Lula e chama gestão da reforma agrária de “vergonhosa”

    Stedile classificou a atuação do MDA e Incra como “incompetente”

    Por |
    afirmou que o movimento está cansado das promessas não cumpridas pela gestão federal. (Foto - MST)

    afirmou que o movimento está cansado das promessas não cumpridas pela gestão federal. (Foto - MST)

    16deDezembrode2024ás16:45

    O principal líder nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stedile, fez duras críticas à condução da reforma agrária pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). 

    Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, publicada neste domingo (15), Stedile afirmou que o movimento está cansado das promessas não cumpridas pela gestão federal.

    “Os 4 milhões de camponeses mais pobres também não tiveram nenhuma política pública que enfrente a pobreza. Cada setor popular tem propostas de curto prazo para o governo, mas não têm tido desenvolvimento”, declarou ao jornal.

    Stedile foi categórico ao afirmar que não houve avanços significativos na reforma agrária.

    “É uma vergonha. Já estamos há um ano e meio, e nada aconteceu. O crédito para os assentados não avançou, nem o Pronera [Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária]. O Pronera é o programa mais civilizatório que qualquer governo poderia implementar, pois facilita o acesso dos jovens camponeses à universidade. É uma vergonha”, criticou.

    Ele também classificou a atuação do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) como “incompetente”. Segundo ele, não basta mais propaganda ou eventos no Palácio do Planalto.

    “Nós queremos medidas concretas que solucionem problemas reais. Faz dois anos que o governo fala em ‘pacotes’. Anunciaram a tal ‘prateleira de terras’ e tantas outras promessas embaladas como presente de Natal. Isso não resolve”, afirmou.

    Stedile_lula

    Stedile ainda apontou deficiências no Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), destacando que ele tem sido insuficiente para atender as demandas dos trabalhadores rurais.

    Promessas e críticas ao Terra da Gente

    Em abril deste ano, o governo federal lançou o programa Terra da Gente, com a proposta de acelerar a reforma agrária. Segundo o planejamento, até 2026, 295 mil famílias agricultoras deverão ser beneficiadas, com 73 mil contempladas já em 2024. O orçamento para aquisição de terras está estimado em R$ 520 milhões.

    O programa prevê a identificação de áreas disponíveis para assentar famílias, promovendo inclusão produtiva, resolução de conflitos agrários e aumento da produção de alimentos. No entanto, Stedile considera as ações insuficientes e questiona a falta de resultados concretos.

    Ele deu como exemplo um curso de Administração Rural pelo Pronera, anunciado pelo governo há seis meses. “O curso não tem um centavo, e a UFSCAR [Universidade Federal de São Carlos] não quer começar. Não basta propaganda. Nós queremos soluções reais, pois os problemas só se agravam”, ressaltou.

    Reunião com o presidente Lula

    Stedile informou que uma reunião com o presidente está programada para revisar os acordos firmados em agosto, durante um encontro na Granja do Torto. “A impressão que temos é que, em geral, os ministros não falam a verdade para o presidente”, disse.

    Homenagem no Rio Grande do Sul gera polêmica

    Apesar da pressão de deputados da oposição e entidades do agronegócio, João Pedro Stedile será homenageado nesta segunda-feira (16), às 17h, com a Medalha do Mérito Farroupilha, a maior honraria concedida pelo Legislativo gaúcho.

    A condecoração é destinada a pessoas que contribuem para o desenvolvimento econômico, social ou cultural do estado. A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul rejeitou os pedidos de cancelamento feitos por setores contrários à entrega da medalha.

    Temas nesta notícia