Como a batalha entre veículos elétricos e flex pode impactar o mercado de etanol?
Lei do Combustível do Futuro tende a ter mais influência nos preços do que avanço dos EVs em 2025

O mercado automotivo brasileiro atravessa um momento de transformação com uma "batalha" crescente entre veículos elétricos (EVs) e modelos flex pela preferência dos condutores.
Dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) mostram que os veículos flex dominam amplamente o cenário, com cerca de 85% dos emplacamentos, mas os EVs dobraram sua fatia, saltando de 2% para 4%, entre 2023 e 2024.
Essa disputa não só movimenta a indústria automobilística, mas também traz impactos significativos para o setor de combustíveis, especialmente o etanol.
Aumento da demanda em 2025
Se o apelo inovador favorece os EVs, por outro lado, a Lei Combustível do Futuro, recentemente sancionada, reforça traz novo impulso aos flex.
A nova legislação prevê, por exemplo, aumento da mistura obrigatória de etanol na gasolina, de 27% para até 30%, já em 2025.
A medida busca promover a sustentabilidade e estimular o consumo do biocombustível e poderia resultar em um aumento de até 10% na demanda por etanol no mercado interno.
Segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), isso pode representar uma produção adicional de cerca de 2,5 bilhões de litros de etanol por ano.
Contudo, especialistas preveem um incremento menor - de 1,4 bilhão de litros - em 2025.
Produção deve cair
Por outro lado, a produção de etanol não deve seguir a mesma tendência.
Segundo a Única, a moagem atingiu 619,97 milhões de toneladas no início da safra 2024/2025 até 1° de dezembro, queda de 2,75% em relação ao mesmo período anterior.
Mas, mesmo que haja safras e moagem maiores, o excedente ainda deverá atender ao aquecido mercado global de açúcar.
Como resultado, preço do etanol poderá subir significativamente a partir de abril de 2025, quando os efeitos da nova legislação entram em vigor.
Longo prazo
Segundo projeções do Ministério de Minas e Energia (MME), a Lei de Combustível do Futuro pode elevar a moagem de cana-de-açúcar em até 42 milhões de toneladas por ano e aumentar o processamento de milho em 7 milhões de toneladas.
Além disso, o MME projeta um acréscimo de 3,17 bilhões de litros no consumo de etanol anidro por ano, totalizando 37,8 bilhões de litros até o final de 2037.
