Combustível do Futuro: Após lei sancionada, empresas anunciam investimentos e início de operações no Brasil

    Caramuru vai aportar R$ 2,2 bilhões, enquanto Inpasa inicia operação da maior usina de etanol do mundo

    Combustível do Futuro: Após lei sancionada, empresas anunciam investimentos e início de operações no Brasil
    08deOutubrode2024ás15:38

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou hoje (8) a Lei do Combustível do Futuro, que visa estimular a produção e o uso de combustíveis sustentáveis. 

    A lei cria programas nacionais para o diesel verde, combustível sustentável para aviação e biometano, além de ampliar a mistura de etanol e biodiesel na gasolina e no diesel, respectivamente.

    Com a sanção da lei, o presidente do Conselho de Administração da Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio) destacou que o projeto marca uma nova era para a economia brasileira. 

    Segundo ele, a iniciativa vai atrair investimentos expressivos no setor industrial e agregar valor à cadeia do agronegócio, impulsionando o emprego verde e o crescimento econômico.

    Essa visão já começou a se concretizar. Após a assinatura da lei, diversas empresas anunciaram planos de expansão e novos projetos. 

    A Inpasa comunicou o início das operações da maior usina de etanol do mundo, localizada em Sinop, Mato Grosso. 

    Já a Caramuru Alimentos, uma das maiores processadoras de grãos do país, confirmou investimentos de R$ 2,2 bilhões, diretamente relacionados à aprovação do Projeto de Lei do Combustível do Futuro (PL 528/2020).

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    Caramuru Alimentos investirá em seis áreas estratégicas 

    “A bioenergia é o futuro não apenas do Brasil, mas de toda a matriz energética global. A Caramuru está trabalhando com afinco para poder desenvolver cada vez mais soluções de energia limpas e renováveis”, diz Júlio Costa, diretor presidente da Caramuru Alimentos, em nota.

    A Caramuru Alimentos já havia anunciado que os investimentos serão distribuídos em seis áreas essenciais para a expansão da empresa:

    • Produção de Proteína Concentrada de Soja (SPC) em Itumbiara (GO): Com foco no processamento de farelo Hipro, a planta produzirá 100 mil toneladas de proteína de soja concentrada (SPC - 62% de proteína) e 40 mil toneladas de melaço com 70% BRIX anualmente.
    • Terminal Rodo-Hidroviário em Miritituba (PA): Em parceria com a 3tentos, o terminal será utilizado para o transporte de milho, soja, farelo de soja, SPC, DDGS, biodiesel e etanol da região produtora do Mato Grosso. A logística reversa permitirá o transporte de insumos agrícolas como fertilizantes para o Mato Grosso.
    • Shiploader no Porto de Santana (AP): Um sistema de carregamento de navios, com capacidade de 1,5 mil toneladas por hora, facilitará a exportação de grãos e farelos para mercados internacionais.
    • Ampliação do Processamento de Soja em Ipameri (GO): A capacidade de processamento passará de 450 mil para 900 mil toneladas anuais, garantindo o fornecimento de óleo para a planta de biodiesel da própria unidade.
    • Planta de Glicerina Farmacêutica Bidestilada em Sorriso (MT): Esta nova planta, com capacidade para produzir 40 mil toneladas anuais de glicerina farmacêutica, irá agregar valor ao produto, processando também parte da glicerina de outros produtores do Mato Grosso.
    • Planta de Etanol de Milho em Nova Ubiratã (MT): Em parceria com a Biocen, a Caramuru terá 51% do controle da planta, que processará 600 mil toneladas de milho por ano, gerando 280 milhões de litros de etanol e 175 mil toneladas de DDG, além de ser autossuficiente em energia elétrica, com excedente exportado para a rede.
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    Inpasa anuncia início de operação da maior usina de etanol do mundo

    A Inpasa, maior produtora de etanol de milho do Brasil, anunciou nesta terça-feira (8) o início da operação da expansão da sua biorrefinaria em Sinop, Mato Grosso. 

    Com a nova fase operacional, a planta passa a ser considerada a maior unidade produtora de biocombustível à base de cereais do mundo, de acordo com a própria empresa.

    A empresa revelou que o complexo recebeu investimentos de R$ 4,1 bilhões, ampliando sua capacidade de produção de etanol e derivados. 

    O complexo, localizado ao norte de Mato Grosso, foi inaugurado em 2019 e vinha operando em duas fases até o ano passado. Agora, com a conclusão das duas fases adicionais, a planta está completamente operacional.

    A usina de Sinop foi projetada para produzir 2,1 bilhões de litros de etanol por ano, processando aproximadamente 4,6 milhões de toneladas de milho da segunda safra. Esse volume corresponde a cerca de 10% da produção de milho de Mato Grosso, o maior produtor brasileiro do cereal.

    Além do etanol, a unidade também é capaz de produzir 1 milhão de toneladas de farelo DDGs, 105 mil toneladas de óleo de milho e 804,1 GWh de bioeletricidade, coprodutos gerados no processo de produção de biocombustíveis.

    Em comunicado, José Lopes, presidente da Inpasa, destacou a importância estratégica desse projeto para a bioeconomia nacional. "Estamos em um momento ímpar da bioeconomia brasileira. Iniciativas como esta reafirmam nosso país como protagonista no cenário global", afirmou.

    Raízen reafirma compromisso em manter investimentos no País

    Referência global em bioenergia, a Raízen participou da cerimônia de sanção da Lei e reafirmous eu compromisso de continuar investindo no país.

    “Reforçamos nosso compromisso de investir R$ 11,5 bilhões na construção das plantas de Etanol de Segunda Geração e biometano para atender o aumento de demanda”, comemora Ricardo Mussa, CEO da companhia e líder da força-tarefa de transição energética

    Na semana passada, a empresa já havia anunciado um investimento de R$ 1,2 bilhão para a construção de uma nova usina de etanol de segunda geração (E2G) em Jataí, no estado de Goiás.

    Com a missão de desenvolver soluções de descarbonização a partir da cana-de-açúcar, a Raízen, em parceria com Shell e SENAI-SP, investe cerca de R$ 120 milhões na construção do Centro de Bioenergia, em Piracicaba (SP), que trará ganhos tecnológicos para produção de biocombustíveis com menor pegada de carbono.

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    Além disso, a FS anunciou um novo investimento de R$ 350 milhões na segunda fase do seu projeto pioneiro de captura e armazenamento de carbono (BECCS), em Lucas do Rio Verde (MT).

    Simultaneamente, o Grupo Potencial, empresa paranaense produtora de biodiesel e glicerina, revelou um aporte adicional de R$ 600 milhões em sua planta de biodiesel à base de óleo de soja, localizada em Lapa, região metropolitana de Curitiba, totalizando R$ 3 bilhões investidos no complexo.. 

    Lei do Combustível do Futuro Prevê Atrair R$ 200 Bilhões em Investimentos

    A recém-aprovada Lei do Combustível do Futuro, derivada do Projeto de Lei 528/2020, foi sancionada após quatro meses de intensas negociações no Congresso. 

    Aprovada por unanimidade, a nova legislação tem como objetivo impulsionar a mobilidade sustentável e consolidar o Brasil como líder global na transição energética.

    A cerimônia de sanção contou com a assinatura de compromissos de R$ 21 bilhões em investimentos privados para novos projetos de biocombustíveis. 

    Segundo o Ministério de Minas e Energia, o total de investimentos projetado para os próximos anos deve alcançar R$ 200 bilhões, fortalecendo o setor e ampliando o uso de combustíveis limpos.

    Durante o evento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou a importância da nova lei para o desenvolvimento econômico do país. "Nós começamos a trabalhar, vocês acreditaram", afirmou o presidente, dirigindo-se a empresários do agronegócio e representantes de cooperativas de agricultura familiar. 

    O Maior Projeto da História

    O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e empresários dos setores de energia e transporte ressaltaram que os pilares da nova lei começaram a ser estruturados em 2003, durante o primeiro mandato de Lula, e agora avançam para uma nova fase.

    "Faz 20 anos do projeto de lei do biodiesel", lembrou Donizete Tokarski, diretor da União Brasileira do Biodiesel e do Bioquerosene (Ubrabio), atribuindo a Lula o título de "presidente do combustível do futuro". 

    Já Evandro Gussi, presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), classificou a nova legislação como "o maior projeto de bioenergia da história da humanidade".

    Programas Inovadores

    A Lei do Combustível do Futuro institui três programas voltados à pesquisa, produção, comercialização e uso de biocombustíveis, com foco na descarbonização da matriz de transportes e mobilidade:

    • Programa Nacional de Combustível Sustentável de Aviação (ProBioQAV): A partir de 2027, as companhias aéreas deverão reduzir gradualmente as emissões de gases de efeito estufa nos voos domésticos, utilizando combustível sustentável de aviação (SAF). As metas começam com uma redução de 1% e chegam a 10% até 2037.
    • Programa Nacional de Diesel Verde (PNDV): O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) determinará, anualmente, a quantidade mínima de diesel verde a ser misturada ao diesel fóssil, promovendo a transição para combustíveis mais sustentáveis.
    • Programa Nacional de Descarbonização e Incentivo ao Biometano: Com previsão de início em 2026, o programa estabelecerá metas anuais para a redução das emissões de gases no setor de gás natural por meio do uso de biometano, com uma meta inicial de 1%, podendo alcançar até 10%.

     

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