Produção de algodão no Brasil deve crescer 5,8% em 2025, aponta Abrapa

    Apesar dos avanços, o setor ainda enfrenta desafios importantes

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    Produção de algodão no Brasil deve crescer 5,8% em 2025, aponta Abrapa
    15deJaneirode2025ás15:25

    O Brasil consolidou sua posição como líder mundial nas exportações de algodão em pluma em 2024, superando os Estados Unidos, que ocupavam o topo do ranking desde a safra 1993/1994. 

    A conquista reflete uma combinação de fatores como alta rentabilidade, avanços tecnológicos e qualidade superior do produto brasileiro.

    Segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), a produção deve continuar em alta. Em entrevista à Forbes Agro, o presidente da entidade, Gustavo Piccoli, destacou que a safra 2024/25 deverá registrar um crescimento de 5,8%, alcançando 3,91 milhões de toneladas, contra 3,69 milhões do ciclo anterior.

    A área plantada também deve expandir, chegando a 2,12 milhões de hectares, um aumento de 6,6%.

    Apesar da expansão, a produtividade média deve apresentar uma leve queda de 0,7%, estimando-se 1.831 kg por hectare, segundo projeções da Abrapa e suas associações estaduais.

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    Mercado internacional e novos destinos

    O fortalecimento do Brasil no mercado global de algodão também se reflete na diversificação dos destinos de exportação.

    A China lidera a lista de importadores, com compras que somaram US$ 1,7 bilhão (R$ 10,4 bilhões) na safra 2023/24, seguida por Vietnã, Bangladesh, Paquistão e Turquia.

    Um destaque recente foi o Egito, que abriu suas importações de algodão brasileiro apenas em 2023. Durante o período comercial, o país já se posicionou como o nono maior destino do produto e segue aumentando as compras.

    A Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea) estima que as exportações brasileiras atinjam 2,8 milhões de toneladas na safra 2024/25, reforçando a liderança do país no mercado internacional.

    Desafios logísticos e competitivos

    Apesar dos avanços, o setor enfrenta desafios importantes. O baixo preço da fibra tem reduzido as margens dos produtores. Além disso, a concentração quase exclusiva dos embarques no porto de Santos pressiona a infraestrutura logística.

    Piccoli destacou a necessidade de diversificar as rotas de exportação, citando o Porto de Salvador como uma alternativa promissora.

    "Já estamos vendo resultados interessantes com a entrada do Porto de Salvador nas exportações de algodão. É preciso um movimento de mercado para garantir rotas marítimas constantes partindo desses portos alternativos", afirmou.

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    Outro desafio é a crescente competitividade das fibras sintéticas no mercado têxtil global, que dificulta o aumento da demanda por algodão. "Esse é um tema central nas discussões globais, especialmente pela alta dependência de uma matriz têxtil baseada em petróleo", completou.

    A safra 2023/24 foi marcada por números expressivos. A área plantada atingiu 1,944 milhão de hectares, a maior desde 1991/92, enquanto a produção chegou a 3,7 milhões de toneladas, representando um aumento de 16,64% em relação ao ciclo anterior.

    Cultivo da nova safra de algodão avança nas regiões produtoras

    Produtores de algodão em pluma iniciam o ano focados no cultivo da nova safra e na comercialização do produto colhido e beneficiado em 2024, informa o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Esalq/USP.

    Segundo Cepea, esses agentes continuam atentos ao clima no Brasil, especialmente ao excesso de chuvas no Cerrado, e às quedas no mercado externo, diante da oferta global abundante e de sinais de menor consumo na China, que deve reduzir as importações na temporada 2024/25 de forma expressiva.

    Quanto aos preços domésticos, levantamento do Cepea mostra que o movimento também é de baixa, refletindo os recuos internacionais e a menor taxa de câmbio, cenário que pressiona a paridade de exportação

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