Trump assume hoje pela 2ª vez a Casa Branca: ninguém sabe o que pode acontecer

    Antes da posse, o agronegócio brasileiro recebeu boas notícias

    Por |
    Analistas apontam que o início do mandato de Trump gera apreensão em diversas economias (Imprensa Donald Trump/Divulgação)

    Analistas apontam que o início do mandato de Trump gera apreensão em diversas economias (Imprensa Donald Trump/Divulgação)

    20deJaneirode2025ás09:50

    O presidente Donald Trump reassume hoje (20) a presidência dos Estados Unidos, substituindo Joe Biden, que o derrotou nas eleições de quatro anos atrás. 

    Durante a campanha, Trump sobreviveu a uma tentativa de assassinato, quando foi atingido de raspão por um disparo em um comício na Pensilvânia.

    Agora, o discurso inaugural promete dar pistas sobre o tom de seu segundo mandato, que já começou com declarações polêmicas sobre anexar a Groenlândia, assumir o controle do Canal de Panamá e transformar o Canadá em um estado americano.

    Polêmicas e promessas de governo

    Entre os temas controversos, a nova administração cogita operações de deportação em massa. Chicago, Nova York e Miami seriam os focos iniciais, com centenas de agentes planejando ações em áreas residenciais e comerciais.

    Contudo, o vazamento de informações pode alterar o cronograma, conforme afirmou Tom Homan, ex-diretor interino de Imigração e Alfândega.

    Autoridades e defensores dos direitos humanos disseram que o governo de Trump lançaria operações em várias cidades norte-americanas tão logo ele assumisse o cargo nesta segunda-feira, sendo Chicago considerada o provável primeiro local.

    trump

    Tecnologia

    No setor de tecnologia, Trump intensificou as tensões com a China ao forçar o TikTok a vender suas operações nos EUA. A rede social, que chegou a sair do ar temporariamente, retomou as atividades após negociações para garantir sua permanência no país.

    Após passar algumas horas fora do ar nos Estados Unidos neste domingo (19/1), o TikTok iniciou a retomada de seus serviços para os 170 milhões de usuários no país.

    O aplicativo havia suspendido sua operação depois que a Suprema Corte dos Estados Unidos rejeitou o recurso apresentado pela ByteDance, empresa controladora do TikTok, confirmando que o aplicativo poderia ser banido do país a partir do último domingo (19).

    A legislação foi aprovada no Congresso americano sob argumento de "resguardar a segurança nacional" e prevenir que uma empresa com origem em outro país pudesse coletar grandes volumes de dados de dezenas de milhões de americanos.

    tiktok

    Em uma publicação no Truth Social neste domingo (19), Trump disse planejar emitir uma ordem executiva após sua possepara "estender o período de tempo antes que as proibições da lei entrem em vigor, permitindo um acordo que proteja nossa segurança nacional".

    Trump também apelou aos parceiros do TikTok para que autorizem a restauração do aplicativo e assegurou que "nenhuma empresa que ajudou a impedir o desaparecimento do TikTok antes da minha ordem será responsabilizada".

    "O povo americano merece acompanhar nossa emocionante posse na segunda-feira, bem como outros eventos e conversas", declarou o presidente eleito.

    Impactos no Brasil

    No Brasil, a posse de Trump é vista com cautela. O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o país é um "parceiro estratégico" e que o comércio bilateral, que atingiu quase US$ 80 bilhões em 2024, é uma "relação ganha-ganha".

    Ele destacou oportunidades em áreas como inteligência artificial, energia renovável e semicondutores, enquanto aguarda possíveis mudanças nas políticas comerciais norte-americanas.

    Em entrevista ao jornal Valor Econômico que o Brasil é “solução”, e não “problema” para os Estados Unidos em termos comerciais.

    geraldo_alckimim

    Ele avalia que existe uma “‘avenida’ para o fortalecimento do comércio entre as duas partes”, mesmo com a volta de Donald Trump à Casa Branca. No mês passado, o republicano havia dito que o Brasil é um dos países que “cobram muito” dos Estados Unidos.

    Além disso, Alckmin destaca que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é um “homem de diálogo” e que já governou com um republicano na Casa Branca, George W. Bush, com quem “teve uma boa relação”. “É preciso separar relações de Estado das questões partidárias. Então nós vamos trabalhar para fortalecer a relação.”

    Apesar disso, especialistas temem que novas tarifas possam afetar as exportações brasileiras. Produtos manufaturados seriam os mais impactados, especialmente se Trump cumprir promessas de campanha, como taxar em até 60% as importações de países como China e México.

    Boa notícia para o agro brasileiro

    Antes da posse, o agronegócio brasileiro recebeu boas notícias: os EUA abriram mercado para feno, erva-mate e flor seca de cravo-da-índia, dispensando certificações fitossanitárias. Segundo o Ministério da Agricultura, essa decisão reforça a credibilidade do sistema sanitário brasileiro.

    Os principais produtos agropecuários exportados pelo Brasil no ano passado aos norte-americanos foram carne bovina, café e suco de laranja.

    agro brasil_EUA

    Em 2024, o Brasil exportou US$ 40,3 bilhões para os EUA, um recorde histórico, com destaque para carne bovina, café e suco de laranja. No entanto, o setor segue atento às políticas do novo governo, que podem trazer desafios ao comércio internacional.

    Incertezas no cenário global

    Analistas apontam que o início do mandato de Trump gera apreensão em diversas economias. Países como Brasil, México e União Europeia estão entre os mais vulneráveis a políticas protecionistas e investigações comerciais

    "Sabemos que mudanças estão por vir, mas é difícil prever os desdobramentos", afirma José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB).

    Ele ressalta que tarifas adicionais podem neutralizar vantagens competitivas, como a desvalorização do real, afetando principalmente produtos manufaturados.

    Temas nesta notícia