Depois da Funai e do Ibama, agora auditores agropecuários querem porte de arma

    Objetivo é reforçar a segurança dos servidores que atuam em áreas de fronteira e outras regiões de alto risco

    Depois da Funai e do Ibama, agora auditores agropecuários querem porte de arma
    20deFevereirode2025ás11:51

    Após a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), agora são os auditores fiscais federais agropecuários que buscam ter o direito ao porte de armas.

    Representantes do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários  (Anffa Sindical), entidade que representa a categoria, se reuniram com a assessoria do senador Fabiano Contarato (PT) para discutir um novo Projeto de Lei (PL) que garanta o porte de armas para esses profissionais.

    Segundo a Anffa, a proposta está alinhada a uma diretriz do Congresso Nacional dos Fiscais Federais Agropecuários (Conaffa) e tem como objetivo reforçar a segurança dos servidores que atuam em áreas de fronteira e outras regiões de alto risco.

    A entidade argumenta que já existem outros projetos sobre o tema, mas que enfrentam dificuldades políticas para avançar.

    Durante a reunião no Senado, representantes do Anffa apresentaram dados sobre o tráfico internacional de produtos ilícitos, destacando que cargas agropecuárias estão entre os principais itens contrabandeados no país. 

    A entidade defende que o porte de armas garantiria maior segurança aos auditores agropecuários no combate ao contrabando, à fiscalização de cargas e à prevenção de crimes nas áreas de atuação.

    Com um retorno positivo da assessoria do senador, os representantes do Anffa reforçaram que intensificarão os esforços ao longo de 2025 para viabilizar a tramitação do projeto.

    A expectativa é que, com o apoio político necessário, a proposta tenha mais chances de ser aprovada dentro do atual governo.

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    Poder de polícia da Funai gera embate

    No início deste mês, um decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu poder de polícia à Funai para atuar na proteção de terras indígenas.

    A medida, publicada no Diário Oficial no dia 3, atende a uma determinação do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), feita em dezembro do ano passado.

    Com a regulamentação, a Funai passa a ter autoridade para atuar diretamente na prevenção de invasões, coibir atividades ilegais e proteger os direitos dos povos indígenas. No entanto, a decisão gerou controvérsia no Congresso Nacional.

    A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) já se mobiliza para tentar barrar o decreto. O deputado Alceu Moreira (MDB-RS) protocolou o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 52/2025 para sustar a medida. Moreira, que presidiu a CPI da Funai e do Incra na Câmara, classifica a iniciativa como um risco à estabilidade institucional.

    "Lula passou dos limites ao decretar poder de polícia para a Funai. O órgão terá prerrogativa para autuar, apreender e aplicar sanções em áreas cujo processo de demarcação ainda está em análise. O Brasil vai virar uma baderna!", declarou o parlamentar na semana passada.

    Ele também questiona a legalidade de diversos processos de demarcação, alegando que muitos possuem "vícios de origem" e atendem a "interesses velados".

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    Porte de armas para fiscais ambientais

    A discussão sobre o porte de armas para servidores públicos que atuam em fiscalização não é nova.

    No ano passado, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou um projeto  que autoriza funcionários da Funai, do Ibama e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) a portarem armas durante atividades de fiscalização.

    A proposta, apresentada por uma comissão temporária que investigou o aumento da criminalidade na Região Norte, recebeu parecer favorável do relator, senador Fabiano Contarato (PT-ES), com emendas. O texto agora aguarda votação no plenário do Senado.

    Entre os principais argumentos para a medida está a crescente violência contra agentes de fiscalização.

    Um dos casos que motivou a discussão foi o assassinato do indigenista Bruno Pereira e do jornalista inglês Dom Phillips, mortos no Vale do Javari, no município de Atalaia do Norte (AM), em junho de 2022. 

    A comissão que analisou o caso destacou a necessidade de reforçar a segurança dos servidores que atuam em regiões de conflito.

    Com a movimentação do Anffa Sindical e o apoio de setores políticos, a discussão sobre o porte de armas para auditores agropecuários deve ganhar força nos próximos meses.

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