Após crescer 9%, piscicultura está prestes a fisgar 1 milhão de toneladas

    Tilápia foi o grande motor do setor e produção bateu um novo recorde em 2024

    Paraná se manteve como o maior produtor de peixes de cultivo do Brasil, atingindo 250.315 toneladas em 2024. (Foto : Jonathan Campos / AEN)

    Paraná se manteve como o maior produtor de peixes de cultivo do Brasil, atingindo 250.315 toneladas em 2024. (Foto : Jonathan Campos / AEN)

    26deFevereirode2025ás17:13

    A piscicultura brasileira segue em expansão e, em 2024, a produção de peixes de cultivo atingiu 968.745 toneladas, um crescimento de 9,21% em relação ao ano anterior (887.029 t). O desempenho reforça a solidez do setor, mesmo diante de oscilações de mercado.

    Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (26) pela Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), responsável pelo levantamento anual da produção nacional.

    “O ano foi marcado pela instabilidade nos preços da tilápia, nossa principal espécie. Ainda assim, a atividade superou desafios e acelerou o crescimento, ficando muito próxima de 1 milhão de toneladas”, destaca Francisco Medeiros, presidente executivo da Peixe BR.

    Mesmo com cotações instáveis ao longo do ano, especialmente no segundo semestre, a tilápia foi o grande motor da piscicultura em 2024, totalizando 662.230 toneladas — um avanço expressivo de 14,36% em relação a 2023 (579.080 t). 

    Por outro lado, os peixes nativos registraram nova queda na produção, reflexo da menor oferta na região amazônica.

    O segmento fechou 2024 com 258.705 toneladas, uma retração de 1,81% frente ao volume de 2023 (263.479 t). A menor disponibilidade, no entanto, ajudou a recuperar os preços pagos ao produtor. 

    Já a categoria "outras espécies" apresentou crescimento, somando 47.810 toneladas, um aumento de 7,5% sobre o ano anterior (44.470 t). 

    Apesar da oscilação no mercado, o setor fechou 2024 com saldo positivo, impulsionado pelo aumento do consumo interno e pelo crescimento da produção em diversos estados.

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    Tilápia atinge maior participação na história da piscicultura brasileira

    A produção de tilápia bateu um novo recorde em 2024, consolidando-se como a espécie mais representativa da piscicultura nacional. Com 662.230 toneladas, o peixe agora responde por 68,36% da produção total do setor — um aumento em relação aos 65,3% de 2023.

    “O ciclo de produção da tilápia começa com o alojamento dos alevinos. Ainda em 2023, os produtores aproveitaram um momento favorável e ampliaram a oferta, o que resultou nessa produção recorde”, explica Francisco Medeiros.

    No entanto, ele alerta para a instabilidade nos preços ao longo do ano.

    “Assim como ocorre em outras cadeias produtivas, como aves e suínos, o equilíbrio é essencial para o crescimento sustentável. É preciso que toda a cadeia trabalhe de forma integrada para garantir um resultado econômico positivo para todos os envolvidos”, destaca.

    O crescimento da tilápia foi generalizado pelo país, exceto na região Norte, onde os peixes nativos ainda dominam a produção.

    Paraná amplia participação e lidera produção nacional

    O Paraná se manteve como o maior produtor de peixes de cultivo do Brasil, atingindo 250.315 toneladas em 2024 — um crescimento de 17,35% sobre o ano anterior (213.300 t). O estado agora representa 25% da produção nacional.

    O modelo de cultivo no Paraná se destaca pela forte presença de cooperativas e pela atuação de piscicultores independentes, que ajudaram a impulsionar os números, segundo anuário. 

    O crescimento paranaense só foi superado, em termos percentuais, por Mato Grosso do Sul (+18,77%) e Minas Gerais (+18,18%).

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    Outro destaque foi a queda de Rondônia, o maior produtor de peixes nativos do país, que perdeu a 4ª posição no ranking para Santa Catarina.

    O único estado do Top 10 a apresentar retração foi Mato Grosso (-0,08%), enquanto Rondônia ficou estável (+0,07%). 

    Ranking dos 10 Maiores Produtores de Peixes de Cultivo (2024)

    • Paraná – 250.315 toneladas

    • São Paulo – 93.200 toneladas

    • Minas Gerais – 72.800 toneladas

    • Santa Catarina – 59.100 toneladas

    • Rondônia – 56.900 toneladas

    • Maranhão – 54.500 toneladas

    • Mato Grosso – 44.520 toneladas

    • Mato Grosso do Sul – 40.500 toneladas

    • Bahia – 36.450 toneladas

    • Pernambuco – 35.700 toneladas

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    Sul amplia liderança na produção por regiões

    O Sul segue como a região mais produtiva do país, fechando 2024 com 333.815 toneladas, um crescimento de 12,7% frente a 2023 (296.200 t).

    O Sudeste teve o maior avanço percentual, crescendo 14,12%, e ultrapassou o Nordeste como a segunda maior região produtora.

    A Região Norte, por outro lado, teve desempenho praticamente estável, com crescimento insignificante de 0,007%. Já o Centro-Oeste cresceu 6,34%, consolidando sua posição como região de oscilação no setor. 

    Ranking por Regiões (2024)

    • Sul – 333.815 toneladas (+12,70%)

    • Sudeste – 189.380 toneladas (+14,12%)

    • Nordeste – 184.480 toneladas (+7,93%)

    • Norte – 143.190 toneladas (+0,007%)

    • Centro-Oeste – 117.880 toneladas (+6,34%)

    Exportações dobram e atingem recorde histórico

    O Brasil registrou crescimento expressivo nas exportações de peixes de cultivo em 2024, com 13.792 toneladas enviadas ao exterior, um aumento de 102% em relação a 2023. 

    Em valor, as exportações somaram US$ 59 milhões, um crescimento de 138%. 

    O grande impulsionador desse avanço foi o aumento da exportação de tilápia para os Estados Unidos, principalmente filés frescos e peixes inteiros congelados, que juntos representaram 91,7% da receita total. 

    Os Estados Unidos lideram como principal destino, com US$ 52,2 milhões (89% do total). O Peru aparece em segundo lugar, seguido por China, Canadá e Japão.

    Ranking de Exportação por Espécie (2024)

    • Tilápias – 12.463 t (+92%)

    • Curimatás – 653 t (+375%)

    • Pacu – 276 t (+10.955%)

    • Tambaqui – 226 t (+215%)

    • Bagres – 125 t (+66%)

    • Outros – 49 t (+1.074%)

    Total Geral

    • Volume: 13.792 t (+102%)

    • Receita: US$ 59 milhões (+138%)

    O Paraná liderou as exportações, respondendo por 64% do total (US$ 35,7 milhões), seguido por São Paulo (12%) e Mato Grosso do Sul (3%).

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