“Campeã nacional” dos lácteos, Piracanjuba já soma R$ 649 milhões vindos do BNDES em 2025
Grupo recebe novo aporte, desta vez para a produção de biogás em quatro estados
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Unidades beneficiadas estão localizadas em Araraquara (SP), Três Rios (RJ), Carazinho (RS) e São Jorge d’Oeste (PR).
Após garantir um financiamento de R$ 499 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em janeiro para a construção de duas fábricas em São Jorge d’Oeste, no Paraná, o Grupo Piracanjuba obteve um novo aporte.
O banco aprovou nesta sexta-feira (7) um financiamento de R$ 150 milhões, por meio do Fundo Clima, destinado à implantação de quatro estações de tratamento de efluentes industriais (ETEs) com produção de biogás.
Assim, somados os dois aportes, a empresa já recebeu R$ 649 milhões do BNDES em 2025 para expandir suas operações e investir em sustentabilidade.
As unidades beneficiadas com o aporte liberado nesta sexta-feira estão localizadas em Araraquara (SP), Três Rios (RJ), Carazinho (RS) e São Jorge d’Oeste (PR).
O investimento também prevê a substituição de caldeiras movidas a combustíveis fósseis por alternativas mais sustentáveis nas fábricas de Araraquara e Três Rios.

A iniciativa reforça o compromisso do grupo com a sustentabilidade e a inovação, transformando resíduos líquidos em energia limpa.
Segundo estimativas, a captação de biogás evitará a emissão de 152,7 mil toneladas de CO₂ equivalente (CO₂e) por ano, assim que as plantas atingirem a capacidade máxima de operação.
Além disso, a modernização das ETEs promete maior eficiência, aprimoramento no controle operacional e redução de custos.
Capacidade
As novas plantas terão capacidade para gerar aproximadamente 11,7 milhões de metros cúbicos normais (Nm³) de biogás por ano. Para ilustrar o impacto, essa quantidade seria suficiente para abastecer um carro movido a biocombustível por 600 mil quilômetros anualmente.
"O investimento de R$ 150 milhões, via Fundo Clima, permitirá a implantação de quatro projetos inovadores de tratamento de efluentes. O biogás gerado será utilizado nas caldeiras, reduzindo as emissões de gases de efeito estufa e os custos com combustíveis", afirmou Luiz Claudio Lorenzo, presidente do Grupo Piracanjuba.
Segundo ele, a empresa também substituirá caldeiras a combustíveis fósseis por alternativas mais sustentáveis.
"Esse investimento reafirma nosso compromisso com a sustentabilidade e a proteção do meio ambiente, garantindo um futuro mais limpo para todos", acrescentou.
Apoio do BNDES e política climática
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, destacou que o projeto está alinhado às diretrizes do governo federal para a transição energética.
"Todas as intervenções financiadas pelo BNDES têm como foco a descarbonização, a redução na geração de resíduos sólidos e a substituição de combustíveis fósseis por fontes renováveis", afirmou.
O Fundo Nacional sobre Mudança do Clima, conhecido como Fundo Clima, é um dos principais instrumentos da Política Nacional sobre Mudança do Clima e está vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Seu objetivo é viabilizar recursos para projetos voltados à mitigação dos impactos ambientais.
"O Novo Fundo Clima apoia a adoção de fontes de energia limpa e incentiva o uso eficiente dos recursos energéticos. Essa modalidade de financiamento está alinhada à nova política industrial, que prioriza a bioeconomia, a descarbonização e a segurança energética", explicou José Luís Gordon, diretor de Desenvolvimento Produtivo, Inovação e Comércio Exterior do BNDES.
Aporte anterior para expansão industrial
Em janeiro, o Grupo Piracanjuba já havia recebido R$ 499 milhões do BNDES por meio do Programa BNDES Mais Inovação (R$ 277 milhões) e da linha FINEM Incentivada B (R$ 222 milhões).
Os recursos são destinados à construção de um complexo industrial de laticínios em São Jorge d’Oeste (PR), que terá capacidade para processar 1,2 milhão de litros de leite por dia.
O projeto inclui a produção de whey protein, lactose em pó, queijo muçarela e manteiga, totalizando um investimento de R$ 612 milhões.
A unidade permitirá a fabricação de até 39,4 mil toneladas anuais de muçarela e 7,9 mil toneladas de manteiga.
Duas novas linhas de produção anexas utilizarão o soro de leite, subproduto da fabricação de queijos, para a produção de 6 mil toneladas anuais de whey protein e 14,8 mil toneladas de lactose em pó. Com isso, o transporte do soro entre diferentes unidades será eliminado, reduzindo a pegada de carbono do processo industrial.
O complexo será a primeira queijaria de grande porte no Brasil a integrar a produção de queijos e derivados do soro em um único parque industrial, reforçando a inovação e a sustentabilidade no setor lácteo.
Sobre o Grupo Piracanjuba
Com sede no interior de Goiás, o Grupo Piracanjuba reúne as marcas Piracanjuba, Emana, LeitBom e as licenciadas Almond Breeze, Ninho e Molico (leite longa vida), contando com mais de 200 produtos no portfólio.
A empresa tem sete unidades fabris, 16 postos de recepção de leite e capacidade para processar até 6 milhões de litros de leite por dia. Além disso, investe em fazendas de eucalipto e programas de educação continuada como parte de suas iniciativas sustentáveis.