Aprosoja acusa Cargill de descumprir Moratória da Soja por desmatamento na Amazônia

    Produtores criticam critérios de restrição no comércio agrícola

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    Aprosoja acusa Cargill de descumprir Moratória da Soja por desmatamento na Amazônia
    11deMarçode2025ás10:00

    A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) acusou a Cargill, uma das signatárias da Moratória da Soja, de desmatar vegetação nativa em 2022, em uma área de preservação permanente no Rio Madeira, na Amazônia.

    Em nota divulgada nesta segunda-feira (10), a entidade afirma que recebeu denúncias de que a trading teria realizado desmatamento em vegetação nativa após 2008. Após apuração, a Aprosoja diz ter confirmado a veracidade das informações.

    Embora a ação tenha ocorrido dentro dos parâmetros legais, a Aprosoja argumenta que o episódio expõe contradições na aplicação da Moratória da Soja, que impõe restrições a produtores rurais, mas não impede que grandes empresas operem mesmo após conversões de áreas.

    A Aprosoja sustenta que, seguindo a lógica da própria Moratória, a Cargill teria incorrido em degradação ambiental e, por isso, deveria estar impedida de atuar no mercado internacional.

    "A situação evidencia uma discrepância na aplicação dos critérios da Moratória da Soja, uma vez que áreas legalmente convertidas por produtores rurais são impedidas de comercializar sua produção, enquanto grandes empresas signatárias do acordo seguem operando sem restrições semelhantes", diz a entidade em nota.

    A associação também critica a influência da Moratória sobre a livre concorrência e a oferta de soja no mercado, argumentando que as restrições impostas penalizam produtores rurais e podem ser caracterizadas como greenwashing - quando políticas ambientais são usadas para transmitir uma imagem sustentável sem compromissos efetivos.

    Presidente da Aprosoja-MT se manifesta

    O presidente da Aprosoja-MT, Lucas Costa Beber, gravou um vídeo comentando o caso e questionou a coerência dos compradores internacionais diante da situação.

    "Qual será a posição dos compradores europeus que impõem a Moratória da Soja sobre os produtores, ao se depararem com essa conduta da empresa?", questionou.

    Ele também reforçou que o desmatamento realizado pela Cargill teve autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), não configurando ilegalidade.

    "A Moratória afeta diretamente a livre iniciativa, regula a oferta de soja no mercado e, acima de tudo, promove desigualdades sociais nos municípios", criticou.

     
     
     
     
     
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    O que é a Moratória da Soja?

    A Moratória da Soja é uma iniciativa da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) para impedir a comercialização de soja proveniente de áreas desmatadas na Amazônia após julho de 2008.

    O sistema de monitoramento via satélite identifica propriedades que descumprem as regras, impedindo a comercialização de seus produtos.

    A restrição atende às exigências de mercados como União Europeia, Inglaterra, Tailândia, Indonésia, Vietnã, Israel e China, que demandam garantias de que a soja não seja originada de áreas desmatadas após esse período.

    "A Aprosoja-MT segue monitorando a ocupação do solo em plantas industriais e áreas produtivas de grandes empresas do setor, defendendo regras comerciais mais equilibradas e transparentes", concluiu a nota.

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