Estiagem e calor extremo ameaçam produção de café em 2025, alertam produtores
Cooxupé diz que clima pode comprometer não apenas a safra atual, mas também próximo ciclo
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As altas temperaturas e a escassez de chuvas nos primeiros meses de 2025 estão gerando preocupação entre os produtores de café.
Segundo a Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé), a maior do setor no mundo, o clima adverso pode comprometer não apenas a safra atual, mas também a produção do próximo ciclo.
De acordo com José Eduardo Santos Júnior, superintendente de desenvolvimento do cooperado da Cooxupé, o impacto real dessas condições climáticas só será plenamente avaliado durante a colheita. No entanto, os danos já são evidentes.
“Não foi apenas a seca, mas a ausência prolongada de chuvas, por mais de 40 dias, aliada a temperaturas muito acima da média histórica. Esse cenário não tem reversão”, destacou durante coletiva de imprensa na Femagri, feira de máquinas e insumos agrícolas realizada em Guaxupé (MG).
Osvaldo Bachião Filho, vice-presidente da Cooxupé, ressaltou que em fevereiro as temperaturas nas regiões cafeeiras superaram 32°C, ultrapassando até os registros de novembro.
Acima desse limite, segundo ele, a fotossíntese dos cafezais é interrompida, impactando diretamente o desenvolvimento das plantas.
“O cafeeiro solta um par de folhas novas a cada 15 a 20 dias, mas nos últimos 50 dias isso não aconteceu. A matemática não será favorável para os produtores”, alertou.

Além disso, as chuvas voltaram de forma irregular, beneficiando algumas regiões, mas deixando outras com um déficit hídrico de até 60% em relação à média histórica.
Cooxupé mantém performance apesar das adversidades
Mesmo com os desafios climáticos, a Cooxupé registrou um faturamento expressivo em 2024, alcançando R$ 10,5 bilhões. No entanto, houve queda no volume de recebimento de café dos cooperados devido à redução da produtividade das lavouras.
No ano passado, a cooperativa comprou mais de 8 milhões de sacas, exportando cerca de 6 milhões. Já em 2023, recebeu 5,3 milhões de sacas e exportou 3,7 milhões, com uma receita de R$ 6,4 bilhões.
Impacto das Tarifas dos EUA no Mercado de Café
Além dos desafios climáticos, a Cooxupé acompanha de perto o cenário internacional, especialmente as políticas tarifárias dos Estados Unidos.
Luiz Fernando dos Reis, superintendente comercial da cooperativa, afirmou que uma possível taxação sobre o café brasileiro poderia afetar os preços internacionais e a competitividade das exportações.
No entanto, ele lembrou que, recentemente, os EUA impuseram tarifas sobre o café colombiano, mas voltaram atrás após negociações.
“Os Estados Unidos dependem da importação de café. Para cada dólar que entra no país com a exportação do grão, são gerados US$ 43 na cadeia produtiva local. Isso limita a adoção de medidas protecionistas severas”, explicou Reis.