Avanço para frango e aceno a bovinos e suínos: quais os resultados da viagem de Lula e Fávaro ao Japão?
País é um dos maiores importadores globais de carnes
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A visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, ao Japão apresentou seus primeiros resultados para o setor de proteínas animais brasileiro.
Com expectativas positivas em relação à ampliação do mercado japonês para carnes brasileiras, por ora, o Japão teria confirmado a municipalização da produção para o setor de aves e acenado com as esperadas visitas técnicas sobre suínos e bovinos.
Com a regionalização do Certificado Sanitário Internacional (CSI) para influenza aviária, possíveis restrições nas exportações de carnes de frango e ovos serão limitadas exclusivamente às áreas onde forem detectados focos da doença, não mais abrangendo estados inteiros.
Esse acordo é resultado de episódios recentes ocorridos em 2023, quando foram identificados casos de gripe aviária em aves domésticas e comerciais nos estados de Santa Catarina e Espírito Santo.
Na época, as exportações brasileiras desses estados foram temporariamente embargadas pelo Japão.
Segundo o ministro Carlos Fávaro, a nova regra traz mais segurança e previsibilidade para o setor avícola brasileiro.
"Essa medida garante maior segurança e previsibilidade nas exportações de carne de frango brasileira para o Japão, beneficiando produtores e fortalecendo a relação comercial entre os dois países", destacou Fávaro em comunicado oficial.
Os acordos relativos ao setor avícola estavam previstos para serem formalizados durante o Fórum Empresarial Brasil-Japão em Tóquio. O fórum reuniu autoridades e representantes comerciais de ambos os países.
Durante encontro em Tóquio com o ministro japonês da Agricultura, Florestas e Pesca, Taku Eto, também confirmou a ida ao Brasil de uma missão técnica japonesa especializada em saúde animal.
Essa visita é considerada essencial para a possível abertura do mercado japonês à carne bovina brasileira e também para ampliação do acesso da carne suína, hoje restrita ao estado de Santa Catarina.
Embora a data exata da missão ainda não tenha sido divulgada, o anúncio já é visto como um avanço importante nas relações comerciais entre Brasil e Japão.
Atualmente, o mercado japonês é reconhecido pela rigidez em seus protocolos sanitários, especialmente na importação de proteínas animais.
Churrasco japonês
O país nipônico é um dos maiores importadores globais de proteínas animais.
Em 2024, o Japão importou aproximadamente 914 mil toneladas de carne de frango, representando um aumento em relação às 759 mil toneladas importadas no ano anterior.
No mesmo ano, o Brasil respondeu por 443,2 mil toneladas, com alta de 2,2%, ou mais de 41,1% do total.
No caso da carne suína, o Japão é um dos maiores importadores com mais de 1 milhão de toneladas por ano. O Brasil respondeu por 93,4 mil toneladas em 2024, com alta de 131,6%.
Quanto à carne bovina, o Japão importou 242.869 toneladas dos Estados Unidos em 2024, com um valor de US$ 1,87 bilhão.
O Brasil está em negociações avançadas para iniciar exportações de carne bovina para o Japão, o que pode impactar a participação de outros fornecedores nesse mercado.
Pastagem degradada
Outro resultado importante da visita ao Japão foi a assinatura de uma carta de intenções para a cooperação bilateral na recuperação de pastagens degradadas no Brasil. A medida reforça o Programa Nacional de Conversão de Pastagens Degradadas em Sistemas de Produção Agropecuários e Florestais Sustentáveis (PNCPD).
Inicialmente, em 2024, o Japão anunciou um aporte de US$ 300 milhões destinado ao financiamento da recuperação dessas áreas degradadas. Agora, após as negociações, a intenção é ampliar significativamente esse valor, podendo chegar a US$ 1 bilhão em recursos japoneses para projetos brasileiros.
Segundo nota divulgada pelo Ministério da Agricultura, o acordo prevê ainda projetos conjuntos entre os setores público e privado dos dois países, visando aumentar a produtividade e a sustentabilidade no campo, utilizando tecnologias inovadoras em solos e bioestimulantes.