Inovação brasileira: fungo cultivado em farinha de arroz controla o mofo branco nas lavouras

    Nova técnica combate praga que afeta soja, feijão, algodão e tomate

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    Inovação brasileira: fungo cultivado em farinha de arroz controla o mofo branco nas lavouras
    01deAbrilde2025ás16:56

    Pesquisadores brasileiros desenvolveram uma nova técnica de cultivo e formulação do Trichoderma asperelloides, fungo com alto potencial no controle biológico de doenças agrícolas.

    A inovação promete ser um marco no combate ao mofo branco — praga que compromete culturas de alto valor como soja, feijão, algodão e tomate — e ainda pode reduzir significativamente o uso de fungicidas químicos.

    O avanço é resultado da parceria entre a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e a Embrapa Meio Ambiente, em Jaguariúna (SP).

    O método utiliza um biorreator em grânulo com farinha de arroz como substrato — um subproduto agroindustrial de baixo custo e fácil acesso — para multiplicação dos conídios do fungo.

    “A nossa técnica amplia a produção de conídios e melhora a estabilidade do produto, tornando-o mais eficaz e acessível para o agricultor”, explica Lucas Guedes, pesquisador da Unesp e autor da tese de doutorado que deu origem à pesquisa.

    Tecnologia acessível, eficiente e durável

    O diferencial da formulação está no uso de grânulos secos contendo conídios, que funcionam como “sementes” biológicas. Quando armazenados sob refrigeração, esses grânulos mantêm sua viabilidade por mais de dois anos — fator essencial para a adoção da tecnologia em larga escala.

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    No campo, o Trichoderma age diretamente sobre os escleródios do Sclerotinia sclerotiorum, agente causador do mofo branco, reduzindo a incidência da doença sem comprometer o solo ou o meio ambiente.

    Nitrogênio potencializa produção

    Durante os testes, os pesquisadores avaliaram cinco variáveis críticas no processo de fermentação do fungo. A adição de apenas 0,1% de nitrogênio ao substrato resultou em um aumento expressivo na produção do Trichoderma, medido por unidades formadoras de colônias (UFCs).

    Fontes complexas de nitrogênio, como levedura hidrolisada e licor de milho, mostraram-se mais eficientes do que alternativas inorgânicas tradicionais, como o sulfato de amônio. “Essa descoberta reforça o papel de soluções mais sustentáveis na agricultura moderna”, completa Guedes.

    Embalagem com controle de umidade aumenta vida útil

    Outro ponto estratégico foi o uso de embalagens especiais, com controle de umidade e oxigênio. Esse cuidado permite que os conídios mantenham sua viabilidade mesmo à temperatura ambiente, ampliando a aplicabilidade do produto no campo e reduzindo perdas durante o armazenamento.

    Impacto econômico e sustentabilidade

    Para Gabriel Mascarin, pesquisador da Embrapa, a escolha da farinha de arroz como substrato ganha ainda mais relevância diante do aumento no preço do arroz no Brasil.

    “A substituição por subprodutos agrícolas, como o arroz quebrado, reduz custos e valoriza resíduos agroindustriais. É um exemplo claro de economia circular”, destaca. 

    Alternativa aos fungicidas químicos

    Além de combater o mofo branco, o Trichoderma asperelloides também pode controlar outros fitopatógenos do solo, como Fusarium, Rhizoctonia e Pythium, além de alguns nematoides, dependendo do isolado utilizado.

    “Essa formulação abre espaço para o controle biológico em diversas culturas, de hortaliças a grandes lavouras como soja e algodão”, afirma Bettiol, pesquisadora envolvida na iniciativa.

    Atualmente, a maioria dos produtos à base de Trichoderma no Brasil ainda utiliza uma única metodologia, com esporos cultivados diretamente em grãos de arroz.

    A nova abordagem traz diversidade, maior eficiência e redução de custos, tornando o controle biológico mais competitivo frente aos defensivos tradicionais.

    Inovação com potencial global

    Diante da crescente demanda por soluções sustentáveis, a técnica tem potencial para impulsionar a agricultura brasileira no mercado global. Combinando eficácia, economia e sustentabilidade, o método reforça o protagonismo do Brasil em inovações agroambientais.

    Produtos à base de Trichoderma já estão registrados na base Agrofit, do Ministério da Agricultura, ferramenta fundamental para profissionais do setor.

    Principais Aplicações do Trichoderma no Controle Biológico

    • Mofo branco (Sclerotinia sclerotiorum) – Ataca culturas como soja, feijão e algodão.

    • Outros patógenos do solo – Eficaz contra Fusarium, Rhizoctonia, Pythium e Sclerotium.

    • Hortaliças e plantas ornamentais – Protege tomate, alface e flores comerciais.

    • Nematoides – Isolados específicos ajudam a reduzir populações que atacam raízes.

    • Substituição de fungicidas químicos – Reduz a dependência de produtos agressivos ao meio ambiente.

    • Melhoria do solo – Promove saúde do solo e fortalece o sistema radicular das plantas.

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