Produção de cana e café em 2025 enfrenta alta de custos e desafios climáticos, aponta CNA
Receita com exportações de açúcar recua 23% em abril, aponta Secex
Por |
Produtores de cana e café enfrentam desafios com alta nos custos e impactos climáticos na safra 2025/26.
Técnicos do projeto Campo Futuro, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), iniciaram nesta semana os levantamentos de custos de produção agropecuária.
As análises foram realizadas de forma virtual e presencial em municípios do Paraná, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Espírito Santo, com foco nas cadeias da cana-de-açúcar e do café.
Cana-de-açúcar: efeitos do clima e queima pressionam produtividade
O primeiro painel sobre a safra 2025/26 de cana foi realizado na terça-feira (8), em Cianorte (PR). A propriedade modal definida na região tem 50 hectares, com produtividade estimada em 82 toneladas por hectare.
Segundo a assessora técnica da CNA, Eduarda Lee, o desempenho é reflexo de maiores investimentos em nutrição, embora os canaviais ainda possam apresentar reflexos de adversidades climáticas do ciclo anterior. Toda a produção é destinada ao etanol.
Na quarta-feira (9), foi a vez de Barretos (SP). O modal é de 100 hectares, com produtividade estimada em 70 t/ha — abaixo do ciclo anterior, principalmente devido aos incêndios registrados em 2024.
No dia seguinte, os técnicos estiveram em Nova Alvorada do Sul (MS), onde o modal é de 1.000 hectares e a produtividade projetada é de 80 t/ha. Já na sexta-feira (11), o levantamento ocorreu em Cambará (PR), com um modal de 73 hectares e produtividade de 75 t/ha.
Segundo Eduarda Lee, a mecanização do plantio aumentou significativamente em algumas regiões, impulsionada pela escassez de mão de obra no campo.

Café: aumento expressivo nos custos e impacto da parceria
Os painéis de café foram realizados de terça (8) a quinta-feira (10) no Espírito Santo.
Em Brejetuba, foi identificada uma recuperação parcial da produtividade, ainda que levemente abaixo da registrada em 2024 — reflexo da recepa em 20% das lavouras, prática que vem se tornando comum na região.
A condução das lavouras ainda é majoritariamente feita em sistema de parceria: 60% da área segue nesse regime, enquanto os 40% restantes, divididos entre áreas produtivas e recepadas, são manejados com mão de obra familiar.
O levantamento apontou um aumento de 33,7% no Custo Operacional Efetivo (COE) por saca em comparação ao ano anterior. Os maiores impactos foram os custos com corretivos (10,1%), fertilizantes (15,3%) e, principalmente, mão de obra (50,1%).
A alta nesta última categoria se deve à valorização de 86,8% no preço do café, o que elevou o custo nas parcerias.
Em Cachoeiro do Itapemirim, a produtividade teve leve alta devido a um clima mais favorável entre 2022 e 2025, compensando parte das perdas da seca de 2021.
A irrigação também contribuiu para mitigar os impactos da escassez de chuvas. O modelo de parceria, no qual o parceiro fica com 40% da produção, foi o principal fator de aumento dos custos.

O COE por saca subiu 47,6%, com alta expressiva nos custos de mão de obra (64,5%), fertilizantes (59%) e corretivos (45,1%). Apesar da Receita Bruta ter crescido 64,5%, a análise econômica completa aponta prejuízo quando se considera o custo de oportunidade da terra, estimado em 15% da produção.
Em Jaguaré, houve melhora nos preços de comercialização da safra atual e uma redução no uso de CPRs (Cédulas de Produto Rural) para antecipação de caixa.
O COE subiu 22,6%, puxado pelos custos com mecanização (7,9%), mão de obra (28,9%), corretivos (66,7%) e fertilizantes (34,3%). A Receita Bruta apresentou crescimento de 53,3%.
Exportações de açúcar registram queda em abril
Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) apontam que, nos nove primeiros dias úteis de abril, as exportações brasileiras de açúcar e melaços somaram 632.868 toneladas, com receita de US$ 298,88 milhões. Isso representa uma média diária de 70.318 toneladas e US$ 33,21 milhões.
Em comparação a abril de 2024, houve queda de 23% na receita diária (que era de US$ 43,14 milhões) e retração de 18,1% no volume exportado (85,875 mil toneladas diárias no ano passado).
O preço médio por tonelada também caiu 6%, passando de US$ 502,40 em abril de 2024 para US$ 472,30 em abril de 2025.