Preço do frete começa a cair com fim da colheita de soja
Conab aponta tendência logística com impacto regional e sinal de retomada nos próximos meses
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Movimento é observado especialmente em Mato Grosso, onde houve recuo generalizado nas cotações. (Foto: Marcos Vergueiro)
Com o avanço do fim da colheita da soja, as principais rotas de escoamento de grãos em estados produtores começam a registrar queda nos preços dos fretes rodoviários.
O movimento é observado especialmente em Mato Grosso, onde houve recuo generalizado nas cotações, iniciando pelas regiões que encerraram a colheita mais cedo. Os dados constam da edição de abril do Boletim Logístico da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Apesar da redução momentânea, a Conab prevê que a proximidade da colheita do milho e fatores externos, como a disputa comercial entre Estados Unidos e China, podem sustentar os preços do frete em níveis elevados nos próximos meses.
“Mesmo que a conjuntura momentânea seja de queda, existe a perspectiva de suporte aos preços de fretes rodoviários e aquecimento logístico em um futuro próximo”, afirma o superintendente de Logística Operacional da Conab, Thomé Guth.

Matopiba e outras áreas
Além de Mato Grosso, a queda nas cotações foi registrada em Goiás, Piauí, Maranhão e Paraná — com exceção das rotas a partir de Ponta Grossa, que apresentaram alta. Na Bahia, o mercado logístico oscilou entre estabilidade e elevação, dependendo da localidade.
No Distrito Federal, os preços subiram de forma generalizada em março, com destaque para as rotas com destino a Araguari e Uberaba (MG).
A expectativa, no entanto, é de estabilidade no curto prazo, diante da menor demanda após o pico da colheita da soja e da influência do câmbio e do mercado de combustíveis.
Mato Grosso do Sul e Sudeste
Em Mato Grosso do Sul, os preços se mantiveram elevados, em linha com o ritmo intenso do transporte em março, que registrou forte crescimento no volume de soja escoado — quase três vezes mais do que em fevereiro.
Minas Gerais também teve aumento nos preços, impulsionado pela boa produção e valorização das commodities. Já em São Paulo, o frete subiu de forma mais moderada, ainda sob efeito da colheita da oleaginosa.
Exportações de Grãos
Em março, o Brasil embarcou 5,9 milhões de toneladas de milho, ante 7 milhões no mesmo mês de 2024.
O porto de Santos segue como principal via de escoamento, com 29,1% do volume, seguido pelos portos do Arco Norte (26,3%), São Francisco do Sul (16%) e Paranaguá (12,7%).
As exportações de soja, por sua vez, totalizaram 22,2 milhões de toneladas no mês. Santos respondeu por 36% dos embarques, enquanto os portos do Arco Norte escoaram 34,4%. Paranaguá participou com 15,8% e o porto de Rio Grande, com 3,4%.