Suzano reverte prejuízo em lucro de R$ 6,3 bilhões com recuperação do preço da celulose
Alavancagem da empresa, no entanto, ainda corresponde a três vezes o Ebitda
Por |
A Suzano encerrou o primeiro trimestre de 2025 com lucro líquido de R$ 6,35 bilhões, revertendo expressivamente o prejuízo financeiro registrado um ano antes.
O resultado positivo representa um salto significativo frente ao lucro de R$ 220 milhões do mesmo período em 2024, impulsionado especialmente pela recuperação dos preços da celulose e pela valorização do dólar frente ao real.
O desempenho financeiro da Suzano foi fortemente impactado pela reversão do resultado negativo observado no ano passado, quando o resultado financeiro havia sido desfavorável em R$ 3 bilhões.
Este ano (de abril de 2024 a março de 2025), o cenário financeiro da companhia se inverteu completamente, fechando o trimestre com saldo positivo de R$ 7,7 bilhões.
A receita líquida cresceu 22%, alcançando R$ 11,55 bilhões.
Já o EBITDA ajustado, excluindo itens não recorrentes, subiu 7% e atingiu R$ 4,9 bilhões. Em termos operacionais, a Suzano vendeu 3 milhões de toneladas de papel e celulose, o que representa alta de 12% na comparação anual.
Especificamente em celulose, foram comercializadas 2,65 milhões de toneladas, uma expansão de 10%, enquanto o volume de papel aumentou 25%, para 390 mil toneladas.
No âmbito financeiro, a dívida líquida da Suzano alcançou US$ 12,9 bilhões, com alavancagem em dólar situada em 3,0 vezes o EBITDA ajustado dos últimos 12 meses.
A companhia concluiu ainda aproximadamente 97% dos desembolsos para o projeto Cerrado, sua unidade em Ribas do Rio Pardo, restando cerca de R$ 600 milhões a serem pagos ainda neste ano.
Recuperação de preços globais
O mercado global de celulose mostrou recuperação no início de 2025 após um segundo semestre de 2024 caracterizado por quedas significativas nos preços, especialmente da celulose de fibra curta (BHKP), que chegou a cair quase 30% na Europa.
A recuperação foi motivada pela normalização dos estoques e redução de oferta em regiões importantes, como a China e a Europa.
No primeiro trimestre deste ano, os preços da celulose começaram a estabilizar e subir, o que levou a Suzano a anunciar reajustes sucessivos.
O preço da celulose para a Europa, por exemplo, subiu para US$ 1.280 por tonelada em abril, enquanto no Brasil, o preço lista foi elevado para US$ 1.100 por tonelada em março, alta de 10% sobre o mês anterior.
A Suzano destacou que apesar do ambiente macroeconômico global ter apresentado maior incerteza ao final do trimestre, a dinâmica do mercado se manteve positiva devido a ajustes estratégicos na produção e na gestão de estoques.