Mapa descarta suspeita em RS, Sergipe e MT, mas ainda investiga focos de gripe aviária em cinco cidades
Casos seguem sob análise laboratorial, incluindo dois em produção comercial

No Tocantins, a Adapec informou que a situação identificada em um abatedouro avícola está sob controle, mas caso está em investigação. (Foto: Keven Lopes/Governo do Tocantins)
O Brasil mantém cinco investigações ativas de casos suspeitos de gripe aviária (H5N1), enquanto outras três suspeitas recentes foram oficialmente descartadas.
A última atualização do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), divulgada na manhã desta terça-feira (20), confirma que os focos investigados em Triunfo (RS), Gracho Cardoso (SE) e Nova Brasilândia (MT) testaram negativo para a doença.
As investigações em andamento seguem sem diagnóstico laboratorial conclusivo. Segundo a plataforma oficial do Mapa para a Síndrome Respiratória e Nervosa das Aves, os cinco focos ainda sob análise são:
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Eldorado do Carajás (PA): criação doméstica (subsistência)
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Aguiarnópolis (TO): criação doméstica (comercial)
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Salitre (CE): criação doméstica (subsistência)
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Ipumirim (SC): criação doméstica (comercial)
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Estância Velha (RS): criação doméstica (subsistência)
Entre esses, dois casos envolvem plantas comerciais: um em uma granja de pintinhos de cinco dias, em Ipumirim (SC), e outro em um abatedouro de aves, em Aguiarnópolis (TO).
Ambos estão em fase de análise laboratorial, com coletas já realizadas, mas sem resultado conclusivo até o momento.

Primeira confirmação comercial
O caso confirmado em Montenegro, na Região Metropolitana de Porto Alegre, foi o primeiro registro do vírus da influenza aviária de alta patogenicidade (IAAP) em uma granja comercial no Brasil. A infecção ocorreu em um matrizeiro de aves e colocou o país em estado de emergência zoossanitária.
Desde então, autoridades sanitárias intensificaram as medidas de contenção. O governo rastreou e determinou a destruição dos ovos de incubação distribuídos para Minas Gerais, Paraná e outros municípios do Rio Grande do Sul.
Até o momento, o Brasil soma:
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164 casos em animais silvestres (160 em aves e 4 em leões-marinhos)
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3 casos em criações domésticas de subsistência
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1 caso em produção comercial
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Total: 168 focos de IAAP no país
Tocantins: caso sob controle, mas ainda em investigação
No Tocantins, a Agência de Defesa Agropecuária (Adapec) informou que a situação identificada em um abatedouro avícola de Aguiarnópolis está sob controle e não representa risco à saúde humana ou ao consumo de produtos.
Apesar disso, o caso segue oficialmente em investigação pelo Mapa e ainda aguarda diagnóstico conclusivo.
A suspeita surgiu durante fiscalização de rotina do Serviço de Inspeção Estadual (SIE), que detectou sete aves com sintomas respiratórios em um lote de 40 mil animais. Amostras foram imediatamente coletadas e enviadas ao Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA), em Campinas (SP).
O laudo preliminar descartou a presença dos vírus H5N1 e H7N9, mas indicou a detecção de influenza A de baixa patogenicidade.
Mesmo assim, a propriedade foi interditada, o lote de carcaças isolado e medidas de controle de trânsito foram adotadas.
A produção do estabelecimento permanece em operação sob monitoramento constante. O gerente de Sanidade Animal da Adapec, Sérgio Liocádio, destacou que os sintomas identificados, como torcicolo, não são típicos da gripe aviária de alta patogenicidade. Ainda assim, o resultado final da investigação laboratorial é aguardado.
MT descarta foco após morte de aves
O Instituto de Defesa Agropecuária (Indea) descartou a suspeita de H5N1 em Nova Brasilândia (MT), onde a morte de aves de subsistência levou à investigação.
O exame realizado pelo LFDA-SP deu resultado negativo para o vírus.
Ações no Rio Grande do Sul
Desde sábado (17), o estado do Rio Grande do Sul intensificou as ações no entorno do foco em Montenegro. Até segunda-feira (19), 459 propriedades rurais — mais de 80% do total na área de 10 km ao redor do foco — já haviam sido vistoriadas.
Sete barreiras sanitárias estão em operação 24h por dia. As equipes agora revisitam propriedades com presença de aves, conforme o Plano Nacional de Contingência.

Segundo o ministro Carlos Fávaro, a atuação rápida e o controle do foco são fundamentais para que o Brasil possa obter reconhecimento internacional da regionalização da ocorrência, restringindo os impactos apenas à área afetada.
“A força do sistema e a transparência nos procedimentos nos credenciam a adotar o princípio da regionalização”, disse o ministro. “Queremos que os países parceiros reconheçam isso.”
Exportações impactadas
Vinte países suspenderam temporariamente as importações de carne de aves do Brasil. Em alguns casos, como China, União Europeia e Argentina, a suspensão é nacional. Outros países, como Reino Unido, Cuba e Bahrein, adotaram restrições regionais, limitando-se ao estado do Rio Grande do Sul.
O ministro reforçou que o consumo de carne e ovos permanece seguro. “A doença não é transmitida pelo consumo. O risco se limita ao contato direto com aves infectadas, e ainda assim a transmissão é rara”, afirmou.
A expectativa do governo é que a desinfecção da segunda granja envolvida no foco de Montenegro seja concluída nesta terça-feira (20). A partir daí, começa a contagem dos 28 dias para que o país possa se autodeclarar livre da IAAP — se nenhum novo caso for registrado.
