Campo errado: Futuro presidente da CBF é acusado por grilagem no Sul de Roraima

    Samir Xaud enfrenta denúncias por grilagem e irregularidades na gestão pública

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    Dirigente  classificou as denúncias como parte de uma “política suja” (Foto - CBF/Divulgação)

    Dirigente classificou as denúncias como parte de uma “política suja” (Foto - CBF/Divulgação)

    21deMaiode2025ás11:54

    A candidatura de Samir Xaud à presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) surge em meio a uma série de denúncias e questionamentos sobre sua trajetória fora do futebol.

    Médico infectologista e presidente da Federação Roraimense de Futebol, Xaud oficializou sua candidatura no último domingo (18), com apoio de 25 federações estaduais e dez clubes das Séries A e B. 

    A eleição ocorre após a destituição de Ednaldo Rodrigues do cargo por decisão judicial.

    Apesar do discurso de renovação, o dirigente é desconhecido no cenário do futebol nacional e carrega um histórico de acusações — a mais grave delas revelada pelo jornalista Lúcio de Castro, que aponta Xaud como protagonista de uma tentativa de regularização de terras em área de proteção ambiental no sul de Roraima.

    Grilagem, documentos contraditórios e registro em área protegida

    Segundo apuração do jornalista Lúcio de Castro, publicada pela Agência Sportlight e no Uol, Samir Xaud declarou a posse de uma área de 1.349 hectares, chamada Fazenda Paraíso Perdido, localizada na Gleba Mucucuáu, no município de Rorainópolis, ao sul de Roraima — uma região marcada por grilagem, conflitos fundiários e considerada zona de proteção ambiental

    Em dezembro de 2020, a Prefeitura local reconheceu oficialmente Xaud como “detentor” da fazenda. Já em março de 2021, ele registrou em cartório a posse do imóvel, declarando que ocupava a área desde 1º de maio de 2008 — o que configura um hiato de 13 anos entre a suposta data de início da posse e a formalização do registro.

    Poucos dias após o registro, a propriedade foi incluída no Cadastro Ambiental Rural (CAR) e, em maio do mesmo ano, Xaud apresentou requerimento ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) solicitando a regularização fundiária da área.

    PresidenteCBF

    A situação foi confirmada pelo próprio Incra, que, em agosto de 2021, declarou ter localizado cadastro em nome de Samir de Araújo Xaud, com data de início da posse coincidente com a indicada no documento cartorial.

    Apesar disso, a defesa de Xaud nega qualquer vínculo com o imóvel. Em nota, afirmou que o dirigente “não é proprietário ou posseiro de fazenda no Estado de Roraima” e que “desconhece a tramitação de qualquer processo em seu nome na Fundação do Meio Ambiente ou no Tribunal de Contas do Estado”.

    Documentos divulgados por Lúcio de Castro, no entanto, mostram a assinatura do próprio Xaud em requerimentos formais de reconhecimento de posse. 

    Outras acusações: fraude em hospital público e suspensão no Judiciário

    Além da denúncia fundiária, Xaud responde a um processo por improbidade administrativa, relacionado ao período em que atuou como diretor-geral do Hospital Geral de Roraima (HGR), entre 2017 e 2020.

    Segundo o Ministério Público de Roraima, ele e outros seis gestores teriam simulado atendimentos médicos para justificar repasses à empresa Coopebras, causando prejuízo de R$ 1,4 milhão aos cofres públicos.

    Em 2017, o médico também foi suspenso da função de perito do Tribunal de Justiça de Roraima após emitir um laudo considerado inválido, que avaliava uma parte do corpo diferente da lesada.

    Outro ponto de pressão envolve uma sócia comercial de Xaud, investigada por supostas fraudes em contratos de fornecimento de alimentação para presídios e unidades de saúde.

    Embora o dirigente não seja réu nesse caso, a ligação tem sido usada por críticos para questionar sua idoneidade.

    Xaud nega acusações e atribui denúncias à “política suja”

    Em entrevista ao Folha BV, Samir Xaud classificou as denúncias como parte de uma “política suja” e disse que sua ficha é limpa. Segundo ele, as acusações são motivadas por disputas políticas e preconceito contra representantes da região Norte.

    “Fico triste porque parte dessas críticas vem de quem sequer conhece minha trajetória. É preconceito com o Norte”, afirmou.

    Ele também rebateu a acusação de fraude no hospital, dizendo que não era ordenador de despesas e que seu nome foi incluído por motivos políticos.

    Segundo o dirigente, o processo já teria sido arquivado — versão que diverge do que aponta o Ministério Público, que ainda considera a ação em andamento.

    Sobre a suspensão no Tribunal de Justiça, afirmou que a acusação é falsa. “São fake news que circulam porque estou disputando uma eleição muito concorrida”, disse.

    Candidato à presidência com apoio da maioria das federações

    Médico de 41 anos, com especialização em medicina esportiva, Xaud é filho de Zeca Xaud, que presidiu a Federação Roraimense por quatro décadas. Ele assumiu o posto do pai em 2022 e, segundo nota da própria CBF, fez “uma verdadeira revolução no futebol local”.

    Sua chapa, intitulada “Futebol para Todos: Transparência, Inclusão e Modernização”, conta com apoio suficiente para vencer a eleição. O colégio eleitoral da CBF é formado por 27 federações estaduais e 40 clubes das Séries A e B. Como o voto das federações tem peso três, basta o apoio de 23 delas para garantir maioria.

    Entre os nomes que compõem sua chapa estão cinco presidentes de federações estaduais — Amazonas, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pará e Santa Catarina — além de figuras com passagem pela própria CBF e o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), como Fernando Sarney e Flávio Zveiter.

    Contexto da eleição

    A eleição foi convocada após a Justiça do Rio de Janeiro afastar Ednaldo Rodrigues da presidência da entidade. A decisão, assinada pelo desembargador Gabriel de Oliveira Zefiro, considerou nulo o acordo firmado entre CBF e o Supremo Tribunal Federal (STF) em 2022, apontando possível falsificação da assinatura do vice-presidente Coronel Nunes.

     

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