FPA propõe novas diretrizes para assentamentos rurais: “Incra não pode continuar criando sem regras claras”

    Projeto de lei visa maior controle e transparência no processo de reforma agrária

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    FPA propõe novas diretrizes para assentamentos rurais: “Incra não pode continuar criando sem regras claras”
    17deSetembrode2024ás16:56

    A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) apresentou um projeto de lei que propõe novas regras para a criação de assentamentos rurais no Brasil, buscando maior controle e transparência no processo de reforma agrária.

    A proposta foi apresentada pela deputada federal Coronel Fernanda (PL-MT), um dia após o governo federal destinar 2,3 milhões de hectares de terras públicas para comunidades indígenas e reforma agrária.

    Segundo a deputada, o projeto tem como objetivo garantir que o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) só crie novos assentamentos após a regularização completa dos já existentes, evitando a expansão descontrolada de áreas sem a devida estrutura.

    “Não podemos permitir que o Incra continue criando assentamentos sem uma regularização clara. O Estado tem o dever de regularizar todos os assentamentos já existentes antes de distribuir novas terras, sem a intenção real de concluir a reforma agrária”, afirmou Coronel Fernanda.

    Principais pontos do projeto de lei

    Entre as principais propostas, o projeto estabelece que novos assentamentos rurais só poderão ser criados caso os já existentes atinjam índices mínimos de ocupação e produtividade. As diretrizes incluem que, para a criação de novos assentamentos: 

    • 80% dos assentamentos estaduais e 90% dos municipais devem estar ocupados de maneira regular por pelo menos dois anos;
    • 70% dos lotes existentes devem ser considerados produtivos. 

    Outra medida importante é a exigência de que o Incra publique anualmente os índices de ocupação e produtividade de todos os assentamentos em seu site oficial, garantindo maior transparência no andamento da política de reforma agrária.

    Impacto na política de reforma agrária

    A deputada Coronel Fernanda destacou que a aprovação do projeto de lei traria um "marco" na política de reforma agrária, focando na regularização de assentamentos e na garantia de direitos aos trabalhadores rurais já assentados.

    De acordo com ela, atualmente, o programa de reforma agrária tem sido usado para atender interesses políticos, sem a devida preocupação com a produtividade e ocupação dos lotes distribuídos.

    Coronel Fernanda criticou a forma como a reforma agrária tem sido tratada politicamente: “A reforma agrária é um assunto muito sério para virar o balcão de negócios da esquerda. Precisamos de uma solução definitiva que beneficie quem realmente precisa”, afirmou a deputada.

    Dados sobre a reforma agrária

    Segundo dados do Incra, cerca de 88 milhões de hectares de terras foram distribuídos desde o início do programa, resultando em mais de 9 mil assentamentos no Brasil.

    Apesar desses números, a deputada afirmou que muitos assentamentos não estão cumprindo seu papel de produtividade, o que compromete a eficiência da política de distribuição de terras.

    A proposta da FPA visa promover um "freio de arrumação" na política de reforma agrária, com critérios mais rigorosos para a criação de novos assentamentos, além de melhorias na assistência técnica, infraestrutura e crédito rural para os beneficiários.

    O foco, segundo a deputada, deve ser dado àqueles que realmente necessitam, garantindo que a reforma agrária não seja utilizada de forma eleitoreira. 

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