Syngenta muda estratégia, transfere controle de lojas e recua do varejo no Sul do Brasil
Multinacional aposta em modelo mais enxuto para manter presença no mercado
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Em meio a um cenário econômico desafiador e à crise no setor de insumos, a Syngenta decidiu mudar sua estratégia de atuação no varejo brasileiro.
A multinacional optou por reduzir sua rede própria de lojas e suspendeu novas aquisições de revendas, priorizando acordos comerciais com parceiros locais para manter sua presença em regiões estratégicas.
A medida foi revelada em entrevista de André Savino, presidente da Syngenta Proteção de Cultivos no Brasil, ao jornal Valor Econômico.
Segundo ele, a decisão busca enxugar a estrutura operacional, concentrar investimentos em áreas-chave e manter o acesso ao mercado mesmo diante da alta concorrência.
A empresa continuará sendo proprietária das lojas, mas a gestão de parte das unidades passou a ser feita por terceiros — movimento classificado como uma “defesa estratégica”.
Segundo Savino para a reportagem, o objetivo da empresa não é gerar valor com a venda das lojas, mas assegurar que as tecnologias da Syngenta continuem chegando aos produtores, inclusive em regiões sem distribuição direta, por meio da plataforma Synap, em parceria com grupos como a Olfar.

Lar e Olfar assumem operações no Sul
A estratégia ficou evidente no início de 2024, quando a Syngenta formalizou duas parcerias comerciais envolvendo o repasse de lojas próprias no Sul do Brasil.
A primeira, anunciada em fevereiro, transferiu 18 unidades localizadas no Rio Grande do Sul para a gestão do grupo gaúcho Olfar Agro.
Já a segunda, firmada em abril, prevê que a Lar Cooperativa Agroindustrial assuma o controle de 19 lojas da rede Atua Agro, distribuídas entre os Estados do Paraná e Santa Catarina.
A operação com a Lar foi submetida ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) no dia 7 de maio e aguarda aprovação. As lojas continuarão operando integradas à plataforma comercial Synap, considerada peça-chave no modelo de distribuição da companhia.
Segundo Savino, o Sul foi escolhido para iniciar esse novo modelo de arrendamento por conta das dificuldades enfrentadas na região, agravadas por oscilações climáticas e pelo aperto econômico.
O modelo permite à Syngenta manter a estrutura patrimonial construída nos últimos anos sem arcar com os custos operacionais diretos.
Distribuição mais enxuta e foco regional
Apesar da mudança de rota no Sul, a Syngenta reforça que manterá lojas próprias em regiões como o Centro-Oeste e o Matopiba (confluência entre Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), que seguem como áreas prioritárias.
Nas demais localidades, onde não há viabilidade para operações completas de recebimento de grãos, a empresa deverá atuar por meio de acordos mercantis com distribuidores parceiros — desde que garantida a presença de pelo menos 80% dos produtos da marca nas prateleiras.
“Mesmo com juros altos e crédito mais caro, vamos continuar investindo no país, mas com um modelo mais eficiente”, reforçou Savino ao Valor.