JBS levanta US$ 3,5 bilhões em sua maior e mais longa emissão de bonds

    Captação marca estreia de empresa brasileira com prazo de 40 anos em emissões internacionais

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    JBS levanta US$ 3,5 bilhões em sua maior e mais longa emissão de bonds
    24deJunhode2025ás10:51

    A JBS anunciou a precificação de sua maior e mais longa emissão de bonds da história, no valor total de US$ 3,5 bilhões, com vencimentos que se estendem até 2066.

    A operação, realizada no mercado internacional por meio de suas subsidiárias JBS USA Holding Lux S.a.r.l, JBS USA Food Company e JBS USA Foods Group Holdings, Inc., inclui três séries de notas sêniores.

    A primeira tranche, de US$ 1,25 bilhão, vence em 2036 e oferece yield de 5,572% ao ano, com cupom de 5,500%. A segunda, também de US$ 1,25 bilhão, tem vencimento em 2056, com yield de 6,265% e cupom de 6,250%. Já a terceira tranche, de US$ 1 bilhão, vence em 2066 e apresenta yield de 6,415% ao ano, com cupom de 6,375%.

    A liquidação está prevista para 3 de julho, sujeita às condições habituais de fechamento. 

    Segundo fontes do mercado financeiro,  o destaque ficou por conta da emissão com vencimento de 40 anos – uma estreia entre companhias brasileiras. 

    Em geral, prazos tão longos são comuns apenas em papéis de grandes empresas americanas. A operação contou com spreads competitivos: a tranche de 10 anos teve taxa de 1,25% acima dos títulos do Tesouro dos EUA (T-notes), o menor spread já registrado por uma empresa brasileira nesse prazo. 

    Recompra de dívidas e alongamento de perfil 

    Os recursos líquidos captados serão destinados principalmente à gestão de passivos da companhia.

    A JBS irá financiar a recompra de títulos com vencimento em 2027, quitar antecipadamente ou total ou parcialmente papéis com vencimento em 2028 e pagar dívidas de curto prazo, incluindo notas comerciais. Eventual valor remanescente será usado para fins corporativos gerais. 

    A operação também marca a segunda emissão de bonds da empresa em 2025 — em janeiro, a JBS havia levantado US$ 1,75 bilhão em captação externa.

    Com o sucesso recente, a expectativa do mercado é que outras empresas brasileiras com rating elevado sigam o mesmo caminho e testem prazos mais longos em futuras ofertas. 

    Demanda elevada e perfil financeiro sólido 

    O interesse dos investidores se deve, em parte, ao perfil mais defensivo do setor de atuação da JBS, aliado à sua atual situação financeira.

    A agência Fitch atribuiu nota ‘BBB-’ às novas emissões, considerando o cronograma de amortização favorável, a geração de fluxo de caixa livre positiva e a redução gradual da alavancagem prevista para os próximos dois anos. 

    Outro fator que influenciou a forte demanda foi o movimento global em busca de ativos com grau de investimento, diante da incerteza geopolítica provocada por conflitos internacionais.

    Companhia amplia negócios com foco em sustentabilidade e inovação 

    Além das operações financeiras, a JBS vem fortalecendo seu modelo de negócios sustentáveis por meio da economia circular.

    A  empresa reutiliza cerca de 99% dos materiais de cada bovino processado e quase 95% dos resíduos de aves e suínos, transformando subprodutos em insumos de alto valor agregado. 

    A frente responsável por essa estratégia é a JBS Novos Negócios, criada em 2009, com cerca de 6 mil colaboradores distribuídos em 13 linhas de atuação.

    “Reunimos operações que transformam os subprodutos e materiais não aproveitados do processamento da carne bovina, suína e de aves em produtos de alto valor agregado”, afirma Nelson Dalcanale, presidente da unidade.

     JBS_investimentos

    Entre os produtos estão biodiesel, colágeno, gelatina, rações, insumos farmacêuticos e materiais de higiene e limpeza. A Genu-in, por exemplo, produz 12 mil toneladas de colágeno e gelatina por ano.

    Já a Novapron+ desenvolve soluções proteicas funcionais, enquanto a Orygina fornece colágeno para setores farmacêuticos e tecnológicos. 

    “Para cada resíduo temos que achar uma destinação e tratar de agregar valor e não poluir o meio ambiente”, completa Dalcanale.

     

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