Marfrig eleva participação na BRF para 58,87% em meio ao processo de fusão
Aumento da participação foi registrado após novo adiamento da assembleia
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A Marfrig comunicou à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), no sábado (12), que passou a deter 58,87% do capital social da BRF. A variação foi registrada na sexta-feira (11), após o fechamento do mercado, e ocorre em meio ao processo de fusão entre as duas companhias.
Do total, 5,11% correspondem a derivativos com liquidação exclusivamente financeira. Os 990,5 milhões restantes incluem ações ordinárias e derivativos com liquidação física, totalizando os 58,87% agora sob controle direto da Marfrig.
A notificação foi assinada pela Marfrig, MMS Participações e MAMS Fundo de Investimentos, que afirmaram que a movimentação não tem o objetivo de alterar o controle ou a estrutura administrativa da BRF, que já é comandada pela Marfrig.
As empresas reforçaram que a operação está alinhada à proposta de incorporação anunciada em maio, por meio de protocolo e justificação que prevê a incorporação da totalidade das ações da BRF pela Marfrig.
Assembleia adiada pela CVM pela segunda vez
Na sexta-feira (11 de julho), a CVM determinou, pela segunda vez, o adiamento da Assembleia Geral Extraordinária (AGE) da BRF, originalmente marcada para a segunda-feira, 14 de julho. A decisão unânime foi motivada pela ausência de documentos detalhados sobre os critérios utilizados na relação de troca de ações.
Com isso, a assembleia só poderá ser realizada 21 dias após a entrega completa das informações solicitadas pela autarquia. A BRF confirmou o adiamento em fato relevante e informou que divulgará a nova data oportunamente.
Análise: pressão por revisão pode favorecer BRF
Para a corretora Ativa Investimentos, o novo adiamento da assembleia é marginalmente positivo para a BRF. “O processo mais rigoroso pode garantir maior equilíbrio e melhores condições para a BRF no acordo final”, avaliou a corretora.
A Ativa também destacou que o processo enfrenta um novo desafio: o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) solicitou informações adicionais para avaliar possíveis impactos concorrenciais, o que pode atrasar ainda mais a aprovação da operação.
Negociações seguem em andamento
Apesar dos entraves regulatórios, as negociações entre Marfrig e BRF continuam em andamento. A proposta de fusão prevê a conversão da BRF em uma subsidiária integral da Marfrig, condicionada à aprovação das assembleias gerais extraordinárias de ambas as companhias e ao cumprimento das cláusulas previstas no protocolo.
A operação também é alvo de contestação no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). No fim de junho, o frigorífico Minerva Foods apresentou recurso pedindo a reavaliação da fusão, aprovada em rito sumário.
A empresa argumenta que a operação desconsidera impactos relevantes sobre a concorrência, especialmente no setor de alimentos processados.