"Economia não pode ser refém de narrativas políticas", diz CNA

    Nota oficial critica diretamente os três poderes da República

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    "Economia não pode ser refém de narrativas políticas", diz CNA
    16deJulhode2025ás10:32

    A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) divulgou na noite desta terça-feira (15) uma nota pública com críticas contundentes ao ambiente político nacional e seus impactos sobre a economia brasileira.

    O comunicado foi publicado no contexto do aumento de tensões entre Brasil e Estados Unidos, após o presidente americano Donald Trump anunciar que vai impor tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros.

    A entidade, que representa o setor agropecuário nacional, afirmou estar preocupada com a forma como pautas ideológicas e disputas políticas internas têm se sobreposto a temas econômicos estratégicos, incluindo a atração de investimentos, a segurança jurídica e a ampliação de mercados internacionais.

    O “tarifaço” proposto por Trump reacendeu o debate sobre a instabilidade das relações comerciais entre os países.

    Segundo a CNA, o Brasil tem perdido espaço por priorizar “crises políticas pessoais” em vez de consolidar sua imagem como fornecedor confiável de alimentos, energia limpa e minerais críticos.

    A nota critica diretamente os três poderes da República.

    O Congresso Nacional é acusado de ceder às pressões das bases políticas e se perder em disputas “com pouco a ver com os interesses econômicos do país”. O Judiciário, embora reconhecido por sua importância institucional, é apontado como protagonista de uma instabilidade recorrente.

    O texto também não poupa o governo federal. A CNA diz que o Executivo, em vez de liderar uma agenda pacificadora e voltada ao futuro, preferiu “reabrir feridas políticas”, tratando adversários como inimigos e reforçando antagonismos.

    Essa postura, segundo a entidade, compromete a confiança empresarial, a previsibilidade regulatória e a estabilidade institucional.

    Embora não cite diretamente nomes, o documento faz referência implícita ao processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, que voltou a dominar a agenda política brasileira nas últimas semanas e tem influenciado decisões no Legislativo e no Judiciário.

    Para a CNA, esse tipo de foco desvia o país dos seus reais desafios.

    “A verdade é que o Brasil tem sido governado, direta ou indiretamente, por uma obsessão com o passado”, afirma a nota, que também alerta: “Nenhum investidor aposta num país preso em disputas do passado”.

    A CNA pede maturidade de todos os lados e cobra uma guinada pragmática na política nacional, com foco em reformas estruturais, segurança jurídica e um ambiente de estabilidade institucional. “O setor econômico assiste a tudo com preocupação. O Brasil precisa de foco”, diz o documento.

    A manifestação da CNA ocorre em um momento em que o agronegócio brasileiro tenta preservar sua competitividade internacional, especialmente diante da pressão de mercados como o norte-americano e o europeu, que aumentaram exigências socioambientais e agora impõem barreiras comerciais.

    Para a entidade, o Brasil precisa “voltar a olhar para frente” e abandonar a “pauta estéril, paralisante e marcada por radicalismos ideológicos e antinacionais”.

    A seguir, a íntegra da nota da CNA:

    "A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) manifesta sua preocupação com o cenário atual em que, enquanto o Brasil real tenta recuperar sua economia, atrair investimentos, abrir mercados e gerar empregos, a política nacional insiste em girar em torno de uma pauta estéril, paralisante, marcada por radicalismos ideológicos e antinacionais.

    A presença dessa agenda como prioridade, inclusive nas relações internacionais, ficou ainda mais evidente com a carta do presidente Donald Trump , um gesto simbólico, mas que reverberou nas instituições brasileiras e criou novo ruído na imagem do país no exterior. O Brasil, que deveria estar consolidando sua posição como fornecedor estratégico de alimentos, energia limpa e minerais críticos, volta às manchetes internacionais não por suas oportunidades, mas por suas "crises políticas pessoais" internas.

    A verdade é que o Brasil tem sido governado, direta ou indiretamente, por uma obsessão com o passado. O Congresso Nacional, pressionado por suas bases políticas, perde tempo em disputas e manobras que têm pouco a ver com os interesses econômicos do país. O Judiciário, por seu turno, também tem sido envolvido em um protagonismo institucional que, embora muitas vezes necessário, alimenta uma instabilidade constante.

    E o governo atual é muito culpado também. Em vez de assumir a liderança de uma agenda pragmática e pacificadora, optou por reabrir feridas políticas, reforçando antagonismos e muitas vezes tratando adversários como inimigos. Essa escolha tem custo. A confiança empresarial, a previsibilidade regulatória e a estabilidade institucional, pilares de qualquer economia saudável, são minadas quando o próprio governo entra no jogo da revanche.

    O setor econômico assiste a tudo com preocupação. O Brasil precisa de foco.

    Precisamos de reformas estruturais que destravem o crescimento, de segurança jurídica, de um ambiente político que permita pensar no médio e longo prazo. Nenhum investidor aposta num país preso em disputas do passado.

    É preciso que alguém diga o óbvio: a economia não pode continuar sendo refém de narrativas políticas que alimentam extremos e paralisam decisões. O Brasil precisa voltar a olhar para frente. E isso exige maturidade, de todos os lados.

    A política precisa corrigir essa grave crise.

    Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA)"

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