Lula diz que Trump não quer diálogo: "se trucar, vai levar um seis"
Já Alckmin se reúne com setor produtivo e autoridades dos EUA; senadores embarcam para reabrir diálogo com o Congresso americano
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(Foto - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasi)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ironizou, nesta quinta-feira (24), a postura do presidente norte-americano Donald Trump diante das tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, previstas para entrar em vigor em 1º de agosto.
Ao participar de um evento no Vale do Jequitinhonha (MG), Lula afirmou que os Estados Unidos não demonstraram disposição para o diálogo e usou o jogo de truco como metáfora para reforçar a posição do Brasil: “Se ele estiver trucando, ele vai tomar um seis”.
A fala ocorre em um momento de tensão comercial entre os dois países e marca o tom mais direto do governo brasileiro contra as medidas protecionistas anunciadas por Trump.
Enquanto Lula critica a ausência de diálogo, o vice-presidente Geraldo Alckmin e um grupo de senadores se mobilizam em diferentes frentes para tentar reabrir os canais de negociação com o governo e o Congresso dos EUA.
Durante o I Encontro Regional de Educação Escolar Quilombola do Sudeste, Lula criticou a falta de resposta dos EUA aos pedidos formais de negociação enviados pelo Brasil em maio.
“Ele não quer conversar. Se ele quisesse, pegava o telefone e me ligava”, disse o presidente, citando diversos líderes com quem já dialogou, como Xi Jinping, Joe Biden, presidentes da América Latina e da Ásia.
Lula ressaltou que o Brasil está acostumado a negociar e já havia realizado diversas reuniões com autoridades norte-americanas antes da decisão unilateral. “Nós íamos negociando, já tínhamos feito dez reuniões com os Estados Unidos. Dia 16 de maio mandamos uma carta para eles. Não responderam. O que responderam foi o site”, ironizou.
O presidente brasileiro também reagiu à fala de Trump que classificou os julgamentos de Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal como “caça às bruxas”.
Lula reafirmou que o Brasil adota a Lei da Reciprocidade e que medidas serão tomadas caso as tarifas entrem em vigor.
Alckmin aposta em diplomacia econômica: “Conversa foi boa”
O vice-presidente Geraldo Alckmin revelou ter conversado por telefone com o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, no último sábado (19), na primeira interlocução oficial de alto nível desde o anúncio das tarifas.
“Nós tivemos uma conversa longa, importante, colocando todos os pontos e destacando o interesse do Brasil na negociação”, disse Alckmin. Ele reforçou que a orientação de Lula é clara: buscar soluções comerciais sem contaminação política ou ideológica.
Segundo o vice-presidente, o objetivo é transformar o impasse em oportunidade: “Resolver problemas, aumentar a integração produtiva, atrair investimentos recíprocos e discutir temas como bitributação”.
Alckmin coordena o Comitê Interministerial criado para responder à ofensiva tarifária dos EUA e vem se reunindo com setores da indústria e do agronegócio mais afetados — como o armamentista e o varejista —, além de lideranças da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).
A expectativa é alinhar posições antes da data limite para entrada em vigor das sanções.
Senado entra em campo e viaja aos EUA para tentar reverter tarifas
Em paralelo ao Executivo, o Senado articula uma missão diplomática ao Capitólio. Nesta sexta-feira (25), uma comitiva multipartidária embarca para os Estados Unidos com o objetivo de sensibilizar parlamentares e empresários norte-americanos sobre os impactos do tarifaço.
“Não temos outra opção a não ser tentar voltar ao que era anteriormente. Muitos setores estão sendo prejudicados — a indústria, Embraer, o agro, suco de laranja, carne. Isso realmente vai afetar a geração de empregos”, afirmou o senador Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da Comissão de Relações Exteriores.
A senadora Tereza Cristina (PP-MS), também integrante da comitiva, defendeu uma abordagem mais firme do governo brasileiro. “Mandar uma carta é muito pouco. Alguém deveria estar levando essa carta”, afirmou.
Além de Trad e Tereza Cristina, integram a missão os senadores Jaques Wagner (PT-BA), Fernando Farias (MDB-AL), Marcos Pontes (PL-SP), Esperidião Amin (PP-SC), Rogério Carvalho (PT-SE) e Carlos Viana (Podemos-MG).
As reuniões devem ocorrer entre os dias 28 e 30 de julho, com foco em representantes do setor privado e parlamentares norte-americano