Cooperativas agropecuárias movimentam R$ 438 bilhões e têm resultados históricos em 2024

    Setor distribui R$ 30 bilhões em sobras e reforça a força do modelo cooperativista no campo

    Por |
    Cooperativas agropecuárias movimentam R$ 438 bilhões e têm resultados históricos em 2024
    31deJulhode2025ás14:04

    O cooperativismo agropecuário brasileiro encerrou 2024 com resultados históricos. Segundo o Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2025, divulgado nesta quinta-feira (31) pelo Sistema OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras, as 1.172 cooperativas do ramo agro movimentaram R$ 438,2 bilhões no ano passado.

    O montante é o maior valor já registrado e 3,6% superior ao de 2023.

    O destaque ficou para as sobras do exercício, que somaram R$ 30,2 bilhões, um salto de 48% em relação ao ano anterior, evidenciando a capacidade das cooperativas de gerar valor e redistribuir riqueza diretamente aos seus associados, mesmo em um ano marcado por desafios econômicos, alta de juros e instabilidade climática.

    “O cooperativismo agropecuário segue fazendo o que faz de melhor: cultivando desenvolvimento e colhendo prosperidade mesmo em momentos de incerteza. As cooperativas do ramo mais uma vez apresentaram suas virtudes, levando escala, infraestrutura e assistência técnica ao campo, com foco na perenidade dos negócios dos cooperados”, destacou o presidente da OCB, Márcio Lopes de Freitas. 

    Estrutura robusta, atuação nacional

    Além do bom desempenho financeiro, o setor agro atingiu R$ 307,5 bilhões em ativos totais, crescimento de 12% na comparação com 2023.

    As  cooperativas empregam 268.279 trabalhadores diretos e contam com 1,09 milhão de cooperados, o equivalente a 20% dos produtores rurais do país, com produtividade média acima da observada no setor.

    Presentes em todos os estados, as cooperativas agropecuárias se concentram principalmente no Rio Grande do Sul (266 mil cooperados), Minas Gerais (204 mil), Paraná (191 mil), São Paulo (138 mil) e Santa Catarina (90 mil). 

    Participação expressiva na produção nacional

    As cooperativas agropecuárias respondem por:

    • 53% da originação de grãos e fibras

    • 80% da produção de carne suína

    • 47% da produção e distribuição de insumos e bens de fornecimento

    • 43% dos produtos não industrializados de origem vegetal

    • 32% dos serviços rurais

    • 22% dos produtos não industrializados de origem animal

    • 21% dos produtos de origem vegetal industrializados

    • 15% dos produtos de origem animal industrializados

    cooperativas2024

    Setor se destaca no cenário cooperativista nacional

    O ramo agropecuário representa 35% das cooperativas brasileiras e foi o principal motor de crescimento do cooperativismo em 2024. No total, as 4.384 cooperativas do país movimentaram R$ 757,9 bilhões no ano, alta de 9,5%, e distribuíram R$ 51,4 bilhões em sobras aos cooperados.

    O cooperativismo como um todo atingiu a marca de 25,8 milhões de cooperados, o equivalente a 12,14% da população brasileira, com crescimento de 66% nos últimos cinco anos. O número de empregos diretos também cresceu, somando 578 mil postos de trabalho, alta de 5%.

    Perspectivas otimistas para 2025

    Apesar do cenário adverso em 2024, a expectativa para o novo ciclo é positiva. O Ministério da Agricultura projeta crescimento de 11,6% no valor bruto da produção agropecuária em 2025, puxado por uma safra recorde e pela estrutura consolidada de escoamento e apoio ao produtor mantida pelas cooperativas.

    A importância estratégica do modelo foi reconhecida internacionalmente com a declaração da ONU de 2025 como o Ano Internacional das Cooperativas, reforçando o papel do setor na promoção de segurança alimentar, geração de renda e sustentabilidade global.

    “O cooperativismo tem papel fundamental para vencer adversidades. Possuímos cerca de 1,2 mil cooperativas agrícolas, responsáveis por 53% da originação de grãos e fibras. Ou seja, somos pouco mais de 1 milhão de cooperados agrícolas, um quinto dos produtores rurais do Brasil, mas fazemos mais da metade da safra nacional. Em outras áreas, é ainda mais relevante,” finaliza Márcio Lopes de Freitas.

    Temas nesta notícia