Produtores de Sorgo, no interior de SP, comemoram dobro da produtividade
Preço da saca chegou a R$ 50 — cerca de 40% a mais que na safra passada
Por |
A safra de sorgo em São Paulo cresce e com força: melhores chuvas, preços em alta e produtividade em dobro. No plano nacional, o Brasil avança em área e produção, com destaque para Goiás, Minas Gerais e São Paulo.
O sorgo consolida-se como alternativa ao milho, especialmente na safrinha — com potencial de uso em ração, etanol e até consumo humano no futuro.
São Paulo
Produtores do noroeste paulista estão empolgados com a safra de sorgo em andamento. Em algumas propriedades, a produtividade deve dobrar em relação ao ciclo anterior. O preço da saca chegou a R$ 50 — cerca de 40% a mais que na safra passada.
Na safra 2024/25, o Brasil deve produzir cerca de 4,945 milhões de toneladas de sorgo, em torno de 1,554 milhão de hectares, com produtividade média de 3.182 kg/ha — um salto de 11% na produção em relação ao ciclo anterior.
Na safra 2023/24, por exemplo, o estado de São Paulo manteve estabilidade e a produção cresceu 8,1%, chegando a 400,9 mil toneladas — puxada pelo aumento da área cultivada.
O sorgo segue ganhando espaço em áreas onde o plantio de milho enfrenta riscos por falta de chuva. Na região noroeste paulista, muitos agricultores preferiram o sorgo, por ser mais resistente ao estresse hídrico, e garantir menor custo de produção.
Novos híbridos e técnicas modernas estão elevando os rendimentos. Alguns cultivares já ultrapassam 6 000 kg/ha se bem manejados. Ainda assim, pragas como pulgão e cigarrinha exigem atenção no manejo técnico para manter o crescimento sustentável da cultura.
Potenciais para etanol e ração animal
Especialistas como Mauro Ozaki (Esalq/USP) destacam que o sorgo é cada vez mais usado como matéria-prima para farelo e rações animais, além de servir à produção de etanol em biorrefinarias. Esse mercado tende a estimular uma expansão ainda maior do cultivo nos próximos anos.
Logística e armazenamento seguem como desafios
A infraestrutura ainda precisa avançar. O 3º Congresso da Abramilho reuniu especialistas que apontaram gargalos na armazenagem e transporte de grãos — fatores que limitam a competitividade do sorgo nacional.