Tecnologia da Embrapa amplia geração de biogás a partir de frutas e verduras descartadas

    Modelo reduz custos de descarte, corta emissões de gases de efeito estufa e pode ser replicado nas 57 Ceasas do Brasil

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    O modelo permite aproveitar integralmente frutas e hortaliças impróprias para o consumo humano, resultado das perdas durante o transporte e armazenamento

    O modelo permite aproveitar integralmente frutas e hortaliças impróprias para o consumo humano, resultado das perdas durante o transporte e armazenamento

    09deSetembrode2025ás10:22

    Pesquisadores da Embrapa Agroindústria Tropical (CE) e da Universidade Federal do Ceará (UFC) desenvolveram o Sistema Integrado de Reatores Anaeróbios, tecnologia que amplia a produção de biogás a partir de frutas e hortaliças impróprias para o consumo humano.

    Na Central de Abastecimento do Ceará (Ceasa-CE), 17 a 25 toneladas de resíduos são enviadas mensalmente ao aterro sanitário, a um custo superior a R$ 200 mil.

    Com o novo sistema, esse passivo pode ser transformado em energia elétrica, com potencial de atender até 100% da demanda da Ceasa nos horários de pico e mais 20% fora deles.

    “O biogás também pode ser comercializado como biometano, após tratamento adequado”, explica Renato Leitão, pesquisador da Embrapa.

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    Ele destaca ainda a redução de custos de transporte, tratamento e descarte, além da diminuição das emissões de gases de efeito estufa.

    O modelo será apresentado entre os dias 14 e 17 de outubro, durante o XV Workshop e Simpósio Latino-Americano de Digestão Anaeróbia (XV DAAL), em Fortaleza (CE).

     

    Como funciona a inovação

    O processo convencional utiliza Reatores de Mistura Completa (CSTR), que apresentam limitações e exigem grandes volumes. A inovação da Embrapa e UFC aprimora esse método ao aplicar um pré-tratamento que separa os resíduos em frações líquida e sólida.

    • Fração líquida: direcionada a reatores UASB (manta de lodo de fluxo ascendente), eficientes para cargas orgânicas elevadas.

    • Fração sólida: pode ser encaminhada para compostagem, resultando em fertilizante de qualidade, ou para reatores de metanização seca, ainda em fase de estudos.

    “A proposta representa uma solução promissora para transformar grandes volumes de resíduos em energia renovável, com ganhos ambientais, econômicos e sociais”, reforça Leitão.

    Para André dos Santos, professor da UFC, o impacto vai além: “energia limpa, menos resíduos, mais empregos e economia circular na prática.” 

    EmbrapaBiogas

    Biohidrogênio: alternativa em estudo 

    Além do biogás, os pesquisadores testaram a produção de biohidrogênio por fermentação escura, tecnologia emergente de geração de energia limpa.

    O processo usou um reator anaeróbio de leito estruturado (AnStBR) alimentado com a fração líquida dos resíduos. Apesar de ainda não atingir escala competitiva, a pesquisa abre caminho para novas rotas de aproveitamento energético.

    Perdas e desperdícios no Brasil

    O desafio da inovação  é ainda mais relevante diante do desperdício de alimentos. Segundo a FAO, cerca de 30% da produção mundial de frutas e vegetais é perdida.

    No Brasil, terceiro maior produtor global, a estimativa é de que 42% dos alimentos se percam ao longo da cadeia produtiva. Nas Ceasas, cerca de 30% das frutas e hortaliças não chegam ao consumo, o que representa 10,9 milhões de toneladas por ano.

    A maior central de abastecimento do País, a Ceagesp (SP), reportou em 2023 entre 150 e 180 toneladas diárias de resíduos, evidenciando o tamanho do desafio e o potencial de expansão do novo sistema.

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