BNDES aprova R$ 2,45 bilhões para produtores afetados por eventos climáticos

    Programa de liquidação de dívidas já atendeu produtores de 485 municípios em 16 estados e concentra recursos em agricultores familiares e médios

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    BNDES aprova R$ 2,45 bilhões para produtores afetados por eventos climáticos
    21deNovembrode2025ás09:14

    O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou, em apenas um mês, R$ 2,45 bilhões por meio do programa BNDES Liquidação de Dívidas Rurais.

    A iniciativa, voltada a produtores que registraram perdas significativas de safra em decorrência de eventos climáticos, abriu protocolo em 16 de outubro, segundo comunicado do banco.

    Do total já aprovado, R$ 1,5 bilhão, o equivalente a 61%, foi destinado a agricultores familiares e médios produtores.

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    Até o momento, o programa atendeu produtores de 485 municípios em 16 estados, com cerca de 8,3 mil operações aprovadas e tíquete médio de R$ 296 mil.

    "Estamos atuando para assegurar um caminho responsável para que agricultores afetados por eventos climáticos extremos possam retomar a produção. Por meio deste programa, estamos garantindo fôlego financeiro e fortalecendo quem sustenta a produção de alimentos do país e um setor que é um dos principais motores do desenvolvimento econômico", afirma Aloizio Mercadante, presidente do BNDES.

    Regras do programa

    Com orçamento total de R$ 12 bilhões do governo federal, o BNDES Liquidação de Dívidas Rurais possui prazo de até nove anos, com um ano de carência. O programa pode ser utilizado para liquidar operações de crédito rural de custeio e investimento, além de Cédulas de Produto Rural contratadas até 30 de junho de 2024.

    Podem contratar a linha produtores rurais, associações, condomínios rurais e cooperativas agrícolas, por meio da rede de instituições financeiras credenciadas ao BNDES.

    Os beneficiários devem estar em municípios que, entre 2020 e 2024, tenham declarado situação de emergência ou estado de calamidade pública reconhecidos pelo governo federal em função de eventos climáticos adversos.

    Também é exigido que tenham registrado perdas superiores a 20% em duas das principais atividades agrícolas nesse período e perdas acima de 30% em duas ou mais safras entre 2020 e 2025.

    O programa reserva pelo menos 40% dos recursos para produtores atendidos pelo Programa Nacional de Agricultura Familiar e pelo Programa Nacional de Apoio aos Médios Produtores, considerados mais vulneráveis aos efeitos das perdas climáticas. Os outros 60% são destinados à liquidação de dívidas dos demais Programas Agrícolas do governo federal, como Moderfrota, Inovagro, Moderagro e Prodecoop.

    Debate no Senado

    Paralelamente, a Comissão de Agricultura e Reforma Agrária, em conjunto com a Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal, realizou nesta quarta-feira (19) audiência pública para discutir o endividamento dos produtores rurais do Rio Grande do Sul, afetados por eventos climáticos extremos e perdas acumuladas nos últimos quatro anos.

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    A reunião, solicitada pelo senador Hamilton Mourão, contou com a participação de instituições financeiras, entidades do setor agropecuário e órgãos de controle.

    Mourão classificou a crise no estado como “inédita, profunda e fora da curva”, ressaltando que o país não pode tratar o tema com morosidade.

    “A agricultura não pode esperar. Cada dia de atraso compromete renda, emprego, abastecimento e a sobrevivência de milhares de famílias gaúchas. O que está em jogo não é uma conta bancária, é a continuidade da vida no campo”, declarou.

    Segundo o parlamentar,  a audiência busca identificar falhas na operacionalização do crédito rural e apontar soluções imediatas. O chefe do Departamento de Regulação do Crédito Rural do Banco Central, Cláudio Filgueiras, alertou que a inadimplência média já alcança 7,9% e, entre grandes produtores, supera 10%.

    “O produtor que financia 100% do custeio, mesmo com taxas equalizadas, hoje não consegue fechar a conta. O modelo, da forma como está, não se sustenta”, afirmou.

    Filgueiras acrescentou que 98% dos recursos emergenciais das Medidas Provisórias 1.213 e 1.214 de 2024 foram absorvidos pelo Rio Grande do Sul, evidenciando a dimensão da crise enfrentada pelo estado.

    “Não estamos diante de um evento isolado. Estamos diante do maior estresse financeiro da agricultura brasileira em décadas. O país precisa rever profundamente sua política de financiamento rural”, pontuou.

    Seguro rural em debate

    Representando o ministro Carlos Fávaro, que cumpre agenda na COP30, o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Guilherme Campos, afirmou que o governo federal já direcionou mais de R$ 32 bilhões ao Rio Grande do Sul desde o início da crise, sendo R$ 20 bilhões em ações emergenciais e R$ 12 bilhões via Medida Provisória 1.314 de 2025.

    “Estamos ao lado dos produtores. Mas é preciso reconhecer: nenhuma medida emergencial, por maior que seja, resolve uma crise estrutural. A mudança necessária é a reformulação do Programa de Seguro Rural”, declarou.

    Campos defendeu prioridade à tramitação do projeto da senadora Tereza Cristina, relatado por Jayme Campos, que propõe a reestruturação do seguro rural brasileiro.

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