Acordo UE-Mercosul: como a aprovação repercutiu nos dois lados
Líderes políticos, setores produtivos e agricultores reagiram de forma distinta ao maior tratado comercial já firmado pelo bloco europeu
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Os países da União Europeia aprovaram provisoriamente nesta sexta-feira (9), em Bruxelas, o acordo de livre comércio com o Mercosul, negociado há mais de 25 anos.
A decisão foi tomada por maioria qualificada durante reunião de embaixadores dos 27 Estados-membros.
O aval representa o passo final antes da assinatura formal do tratado, que se tornará o maior acordo comercial já firmado pelo bloco europeu.
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comemorou a aprovação. “Uma vitória do diálogo, da negociação e da aposta na cooperação e na integração entre os países e blocos”, afirmou.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, confirmou a decisão em suas redes sociais. “A decisão do Conselho de apoiar o acordo UE-Mercosul é histórica”, escreveu.
“A Europa está enviando um sinal forte. Estamos empenhados em criar crescimento, empregos e em garantir os interesses dos consumidores e das empresas europeias”, acrescentou.
Com o resultado confirmado, Ursula poderá viajar ao Paraguai já na próxima semana para ratificar o acerto com os países do Mercosul — bloco formado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. O Paraguai assumiu em dezembro de 2025 a presidência rotativa pro-tempore do grupo.
Os países do Mercosul ainda precisarão submeter o texto final aos seus respectivos parlamentos. No entanto, a entrada em vigor será individual, sem a necessidade de aguardar a aprovação simultânea dos quatro países.

Itamaraty e Apex destacam dimensão do acordo
Em nota conjunta, o Itamaraty e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) saudaram a decisão europeia.
“Trata-se do maior acordo comercial negociado pelo Mercosul e um dos maiores dentre aqueles pactuados pela União Europeia com parceiros comerciais”, afirmaram as pastas.
A Agência Brasileira de Promoção de Exportação e Investimentos (ApexBrasil) calcula que o acordo Mercosul–União Europeia criará um mercado de quase US$ 22 trilhões e poderá incrementar em US$ 7 bilhões as exportações brasileiras.
Segundo o presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, “mais de um terço daquilo que o Brasil exporta para a região é composto de produtos da indústria de processamento”.
Para ele, o tratado tem potencial para impulsionar a retomada da política industrial brasileira.