Com clima favorável, setor vitivinícola do RS projeta safra recorde de uva para 2025/26

    Condições climáticas ideais e bom desenvolvimento das videiras sustentam projeção de 800 milhões de quilos de uva no estado

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    O desempenho das videiras nesta safra tem sido beneficiado por um inverno rigoroso. (Foto Viviane Zanella, Embrapa Uva e Vinho, divulgação)

    O desempenho das videiras nesta safra tem sido beneficiado por um inverno rigoroso. (Foto Viviane Zanella, Embrapa Uva e Vinho, divulgação)

    04deNovembrode2025ás16:12

    O setor vitivinícola gaúcho  projeta uma das maiores safras dos últimos anos.

    Para o ciclo 2025/26, a colheita de uva no Rio Grande do Sul deve alcançar cerca de 800 milhões de quilos, impulsionada por condições climáticas favoráveis e bom desenvolvimento das videiras.

    A estimativa representa um crescimento de aproximadamente 50 milhões de quilos em relação à safra anterior.

    De acordo com Luciano Rebellatto, presidente do Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado do Rio Grande do Sul (Consevitis-RS), a produção de 2024/25 deve ter somado em torno de 750 milhões de quilos de uva, número considerado positivo após os impactos climáticos dos últimos anos.

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    “Em termos de planejamento, acredito que o setor irá se organizar para elaborar maior quantidade de vinhos, especialmente os mais leves, brancos e jovens, os quais se mostram como uma tendência para os novos consumidores”, afirmou. 

    Frio favoreceu o ciclo das videiras

    O desempenho das videiras nesta safra tem sido beneficiado por um inverno rigoroso, fator decisivo para o equilíbrio produtivo.

    “Tivemos um inverno muito bom, com o somatório do frio dentro da normalidade climática, que gira em torno de 390 horas com temperatura abaixo ou igual a 7,2°C. Neste ano, foram registradas 395 horas”, explica Henrique Pessoa dos Santos, chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Uva e Vinho.

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    Segundo o pesquisador, o acúmulo adequado de frio favorece brotação uniforme e gemas férteis, resultando em maior número de cachos e melhor sanidade da fruta.

    “Estamos agora vivendo o período de florescimento das cultivares, e as videiras apresentam boa fertilidade e bastante carga”, observa.

    Primavera promissora e La Niña sob observação

    A primavera tem mantido condições adequadas de desenvolvimento, e a previsão de chuvas abaixo da média em dezembro e janeiro reforça o otimismo. Nessa fase, a uva necessita de tempo seco para garantir qualidade e teor de açúcar ideais.

    Por outro lado, oscilações térmicas intensas entre o dia e a noite, associadas ao La Niña, podem reduzir a fertilidade e o número de bagas por cacho, alerta Santos. Mesmo assim, o cenário segue considerado amplamente favorável.

    Expectativa é de absorção total da safra

    Com meses ainda pela frente até o início da colheita, o setor monitora possíveis variações de clima e produtividade.

    “Dentro do setor, porém, não há maiores temores em relação a fatores que possam influenciar negativamente questões como o preço do quilo de uva. A expectativa é de que a safra seja completamente absorvida e transformada em produtos: nossos sucos, vinhos e espumantes”, destaca Rebellatto.

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